PF mira ex-secretário de Educação de BH e empresários em operação sobre contratos de R$ 80 milhões

Investigação apura suspeitas de direcionamento de procedimentos para compra de serviços e materiais didáticos entre 2024 e 2025
O ex-secretário de Educação de BH, Bruno Barral
O ex-secretário de Educação de BH, Bruno Barral. Foto: Instagram/Reprodução

O ex-secretário municipal de Educação de Belo Horizonte Bruno Barral e os empresários Marcos Moura e Alex Parente são alvos da 10ª fase da Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (17). A decisão que autorizou a operação é do ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação apura suspeitas de direcionamento de contratações para fornecimento de serviços e materiais didáticos em uma secretaria da Prefeitura de Belo Horizonte entre 2024 e 2025. A PF cumpre 24 mandados de busca e apreensão em seis estados e examina contratos que, em pelo menos três procedimentos, somam mais de R$ 80 milhões.

A operação cumpre mandados em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. A polícia apura a possível atuação de uma organização criminosa em processos de contratação ligados à administração municipal de Belo Horizonte.

Segundo a Polícia Federal, há indícios de que procedimentos teriam sido direcionados para a contratação de empresas responsáveis pelo fornecimento de serviços e materiais didáticos. Além dos três processos que resultaram em contratos superiores a R$ 80 milhões, outros procedimentos estão sob análise.

Segundo a PF, os investigados “poderão responder, em tese, por crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro”.

Histórico

A operação desta quinta-feira dá continuidade a apurações que já haviam alcançado Barral, Moura e Parente em fases anteriores da Overclean.

Em 2025, a Polícia Federal apontou indícios de que Bruno Barral teria participado de tratativas para direcionar uma licitação da Secretaria de Educação de Salvador em favor da Larclean Saúde Ambiental. A empresa tem Marcos Moura e Alex Parente entre os sócios.

Naquele caso, a PF analisou mensagens trocadas por Barral com Flávio Henrique Lacerda Pimenta, então diretor administrativo da Secretaria de Educação de Salvador. Segundo a corporação, os diálogos indicavam que a empresa teria sido escolhida antes da publicação do processo licitatório destinado à contratação de serviços de desinfecção em unidades escolares.

A investigação também apontou suspeita de fraude na renovação do contrato com a Larclean, para manter a empresa como prestadora de serviços ao município de Salvador.

Indicação para a secretaria de BH

Barral deixou a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte em abril de 2025, após decisão do ministro Kassio Nunes Marques, que determinou seu afastamento do cargo.

Na decisão, foram considerados elementos reunidos pela Polícia Federal e manifestação da Procuradoria-Geral da República. A PGR sustentou que a investigação apresentava indícios de atuação coordenada dos envolvidos para ocultar patrimônio e destruir provas.

Antes de assumir a pasta em Belo Horizonte, Barral foi secretário de Educação de Salvador. A indicação dele para o cargo na capital mineira também apareceu em materiais analisados pela Polícia Federal em fases anteriores da Overclean.

Segundo relatório policial, mensagens extraídas do celular de Marcos Moura registraram conversas com o então prefeito Fuad Noman sobre a formação do secretariado municipal. Para a PF, os diálogos indicaram interesse de Moura na indicação para o comando da Secretaria Municipal de Educação.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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