Partidos que integraram outras chapas na disputa pelo governo de Minas Gerais já se movimentam nos bastidores para marcar encontros com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), eleito governador em primeiro turno, e buscar espaço na gestão pelos próximos quatro anos.
A articulação ganhou corpo logo após a confirmação do resultado, neste domingo (4). Segundo fontes ouvidas por O Fator, a urgência dos caciques é entender qual será o papel do próprio Cleitinho na condução política do governo estadual e quem estará autorizado a falar em nome dele.
A reportagem apurou que há temor de que o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), presidente estadual da legenda, assuma parte desse comando. O parlamentar não conseguiu se reeleger e também não viu vencer os nomes que apoiou.
Na avaliação de dirigentes ouvidos sob reserva, o resultado tende a levá-lo a “lotear” a futura gestão com indicações próprias e, principalmente, a falar em nome do senador. Interlocutores ouvidos pela reportagem destacam, inclusive, a preferência em conversar com o vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos).
Pettersen é investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação que recai sobre o deputado foi utilizada por adversários para tentar desidratar o nome do político do Republicanos.
Os caciques afirmam que querem evitar um “jogo truncado”, com intermediários entre os partidos e o governador eleito. Pesa ainda o melindre atribuído a Cleitinho em declarações públicas.
A conversa direta, dizem, reduz ruídos, poupa tempo na montagem da equipe e afasta qualquer rusga neste início de transição. Segundo interlocutores, o objetivo comum das legendas é conter o “vai e vem” de Cleitinho e garantir desde já um compromisso público de caminhada conjunta.
PL e federação
Mesmo depois de enfrentarem o senador na campanha, esses partidos entendem que com ele, diferentemente de outros nomes, há diálogo. É o caso do PL, que lançou Flávio Roscoe e terminou a eleição em terceiro lugar. Apesar da candidatura própria, quadros da legenda apoiaram o senador durante a campanha.
O mesmo ocorre com a federação União Brasil-PP, que apoiou formalmente a chapa de reeleição do governador Mateus Simões (PSD). A aliança indicou inclusive o candidato a vice, Danilo de Castro (União Brasil). O grupo pretende manter presença na administração, principalmente nas pastas que assumiu recentemente.
Aceno aos adversários
O PSD, de Mateus Simões, também observa o cenário. Na coletiva de imprensa concedida na noite de domingo, após a vitória, Cleitinho sinalizou a possibilidade de agregar adversários para ajudar a governar.
A sigla perdeu cadeiras na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e viu a influência encolher de forma considerável. A leitura interna é de que o gesto abre caminho para uma composição.
A fala alcançou também o MDB. Cleitinho citou o ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB), candidato do partido ao Palácio Tiradentes, a quem chamou de “um amigo meu”. O nome de Gabriel já circulava antes do resultado como possível secretário do senador.