Republicanos define Cleitinho e Falcão como chapa ao governo de Minas

Após meses de idas e vindas e divergências internas, senador vai anunciar de vez a candidatura nesta sexta-feira (7).
Na foto, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG)
O senador Cleitinho Azevedo surpreendeu a cúpula do Republicanos no início da semana ao pedir, durante a convenção nacional do partido, uma nova oportunidade para disputar o governo de Minas. Foto: Júlio Dutra/Republicanos

A cúpula do Republicanos informou a correligionários e a lideranças de partidos do campo de direita e da centro-direita que decidiu, nesta sexta-feira (7), lançar o senador Cleitinho Azevedo como candidato ao governo de Minas Gerais.

O posto de vice ficará com o ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão. A informação foi confirmada ao O Fator por interlocutores a par da negociação. O martelo foi batido em reunião na tarde desta sexta.

O encontro ocorreu na residência do presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), em Vinhedo, no interior de São Paulo. Participaram Cleitinho, o presidente estadual da legenda, deputado federal Euclydes Pettersen, entre outros aliados.

O anúncio será feito formalmente pelo senador na noite desta sexta. O parlamentar convocou coletiva de imprensa na praça do Santuário, em Divinópolis, no Centro-Oeste do estado. Foi nesse mesmo local que, na semana passada, Cleitinho disse que queria ser candidato após o Republicanos descartar sua candidatura.

Resistência nacional

Desde 2025, Cleitinho alternou sinais de que disputaria o Palácio Tiradentes com declarações de que abriria mão da corrida eleitoral, deixando aliados e adversários sem saber qual seria o rumo da legenda.

No início da semana, o senador chegou a anunciar a desistência do páreo; menos de 24 horas depois, voltou atrás e pediu uma nova chance, que a direção da sigla resistiu em aceitar.

A insistência do senador porém, abriu uma nova rodada de negociações, que foi encerrada nesta sexta-feira, mas não sem resistência da cúpula nacional do Republicanos quanto ao nome de Cleitinho. Houve até mesmo a tentativa de lançar Falcão como candidato ao comando do estado ou o irmão gêmeo do senador, o ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo.

Uma das preocupações era evitar que o comunicado passasse a impressão de falta de pulso da direção partidária diante das idas e vindas do parlamentar. Por isso, um dos eixos da coletiva será defender que a decisão está nas mãos do povo mineiro e enfatizar que a candidatura é uma aposta do Republicanos em Minas.

Definição da direita

Outro fator que contribuiu para a mudança de posição da legenda foi o avanço das definições eleitorais entre partidos da direita e da centro-direita em Minas. Em meio ao vaivém do senador, outras siglas decidiram seguir caminhos próprios.

O PL definiu o lançamento de chapa própria ao governo de Minas, com o presidente licenciado da Federação das Indústrias (Fiemg), Flávio Roscoe, como candidato ao Palácio Tiradentes. Essa também será uma chapa pura, conforme ata encaminhada à Justiça Eleitoral.

Já a federação formada por União Brasil e PP anunciou apoio ao projeto de reeleição do governador Mateus Simões (PSD), com Marcelo Aro (PP) pleiteando o Senado. Ele chegou a ser aventado pelo PL e Republicanos para tentar o Executivo em arco de alianças da direita.

O desfecho contrasta com as falas de caciques das siglas. Isso porque durante toda a pré-campanha, as lideranças desses grupos defenderam publicamente a construção de uma candidatura única para enfrentar a disputa estadual.

O vaivém até aqui

No fim de julho, o Republicanos chegou a comunicar que não lançaria candidato ao governo mineiro e informou que a posição havia sido tomada após sucessivos adiamentos de uma resposta definitiva do senador. Depois disso, Cleitinho se reuniu em diferentes ocasiões com Pereira ao longo da última semana para tentar reverter o cenário.

Após um encontro interno em Brasília na segunda-feira (3), a legenda publicou, inclusive, um vídeo em que o senador afirmava compreender a posição do partido e dizia que não poderia disputar a eleição porque não estava bem emocionalmente em razão da morte do irmão, em 18 de julho, além de problemas de saúde envolvendo outros familiares.

A cúpula do Republicanos, contudo, foi pega de surpresa na manhã do dia seguinte quando, durante a convenção nacional da agremiação, na capital federal, Cleitinho pediu a palavra. Na ocasião, ele fez um apelo público para mudar, mais uma vez, o rumo das negociações e pediu uma nova oportunidade para disputar o comando do estado.

O senador justificou que só havia desistido da candidatura em razão do período de luto pela morte do irmão, mas que, após conversar com familiares e receber manifestações de apoio, entendeu que deveria cumprir a missão de disputar o Palácio Tiradentes. A iniciativa provocou, ainda no mesmo dia, uma reprimenda pública de Marcos Pereira.

“Eu seria irresponsável com o povo de Minas em colocar Minas nas mãos de uma pessoa que ora pensa uma coisa e, cinco minutos depois, pensa outra. Nós não podemos brincar com a vida das pessoas. Nós não podemos ir para um processo eleitoral como esse, num partido que é sério e que cresceu em 20 anos, numa instabilidade”, afirmou no dia.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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