Cobrado por Dino, governo de Minas alega limitação de sistema para detalhar emendas de deputados

Estado diz ao Supremo que já separa recursos das emendas no orçamento, mas não consegue ir além por limitação técnica
Ministro do STF Flávio Dino
Em setembro, Flávio Dino cobrou dos estados mais transparência sobre as emendas parlamentares. Foto: Alejandro Zambrana/STF

O governo de Minas Gerais admitiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não consegue, por enquanto, detalhar mais a identificação das emendas parlamentares estaduais no orçamento. Segundo o Executivo mineiro, a mudança esbarra em “limitações de sistema”.

A resposta foi protocolada nesta quarta-feira (14) pela Advocacia-Geral do Estado (AGE) e encaminhada ao ministro Flávio Dino. O relator cobrou de 22 estados e do Distrito Federal, no último mês, mais transparência sobre o dinheiro que os deputados indicam no orçamento e como vão corrigir falhas em seus portais.

As falhas foram levantadas pelo Psol, autor da ação no STF. O partido vasculhou os portais estaduais e “aprovou” apenas os de Acre, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Em Minas, o partido encontrou o portal no ar, mas sem a papelada que mostra o caminho do dinheiro.

“Não foi possível acessar os documentos que integram o processo de execução das emendas, como os instrumentos que disciplinam sua destinação, planos de atividades e informações claras sobre a efetivação do pagamento”, relatou a legenda na petição.

Etiquetas no Orçamento

Na resposta ao STF, a Secretaria de Estado de Governo (Segov) afirma que o orçamento já separa o dinheiro das emendas do restante dos gastos do estado. A secretaria também diz manter “trabalho contínuo de aprimoramento do Portal”. A AGE, por sua vez, avisou que ainda pode enviar “informações complementares”.

De acordo com a Segov, essa separação é feita por meio de três códigos, um para as emendas dos deputados e das comissões da Assembleia Legislativa, outro para as emendas sugeridas pela população e um terceiro para as emendas Pix, em que o dinheiro vai direto para o caixa da prefeitura.

O problema aparece quando se tenta ir além disso. A pasta diz que criar marcadores mais detalhados é “de competência exclusiva” da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), que já deu a resposta: “No momento, por limitações de sistema não é possível a implementação das referidas alterações”.

O documento, contudo, não explica quais mudanças ficaram de fora nem quando elas poderiam sair do papel. “Não obstante a limitação acima relatada”, segundo a Segov, o governo adota outras medidas para garantir “a rastreabilidade e a transparência na execução dos recursos”.

Uma delas, segundo o texto, obriga os órgãos que executam emendas a preencher controles específicos, previstos em resolução da própria secretaria editada neste ano. A outra é a aba de transparência do Portal de Emendas.

A página reúne o deputado autor, o município, o beneficiário, o tipo de repasse e “documentos correlatos”, além dos dados de execução. O plano de trabalho, porém, aparece apenas no caso das emendas Pix.

Identificador único em Brasília

Na mesma decisão, Dino também apertou o cerco às emendas federais. O ministro deu prazo até 30 de novembro para que o governo federal e o Congresso apresentem uma proposta de identificador único para cada emenda. A ideia é que o código funcione como o número de rastreio de uma encomenda.

A Câmara e o Senado reconheceram que há espaço para melhorar, mas o Senado atribuiu a responsabilidade ao Executivo. Segundo a Casa, o rastreamento “depende primordialmente da arquitetura dos sistemas de execução mantidos pelo Poder Executivo”.

Já o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) defende que o modelo atual dá conta do recado. Para a pasta, a rastreabilidade das emendas coletivas “é assegurada ao longo de todo o ciclo de execução orçamentária”.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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