Interlocutores envolvidos nas conversas sobre o Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte, cujas obras não começaram por causa de um imbróglio jurídico, passaram a aventar um caminho para solucionar, ao menos temporariamente, o embaraço: iniciar a construção de alguns pontos do traçado, mas não avançar para áreas onde há comunidades quilombolas potencialmente afetadas.
A questão com os grupos tradicionais é exatamente o que impede, por ora, o pontapé inicial das obras. O caso está nas mãos do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), que em julho expediu decisão impedindo os trabalhos em torno do empreendimento até o fim do imbróglio.
O Fator apurou que a solução cogitada ainda é tratada como incipiente. Como a reportagem mostrou mais cedo, o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), esteve na sede do TRF-6 nessa quinta-feira (29) para tratar do tema. Embora não haja acordo concreto por enquanto, participantes da agenda consideram que o futuro chefe do Executivo se mostrou aberto a caminhos capazes de encerrar o impasse.
Durante a conversa com Cleitinho, o presidente do Tribunal, desembargador Ricardo Machado Rabelo, pontuou que a Corte segue estudando maneiras de conciliar o interesse das comunidades tradicionais ao plano do atual governo — e da gestão que assumirá em janeiro — de iniciar as obras.
Rabelo tem dialogado com os envolvidos no empreendimento a fim de colher informações técnicas e processuais do caso. A iniciativa inclui a avaliação das posições do estado, dos municípios e das comunidades tradicionais antes de eventual construção de uma saída negociada.
No mês passado, o prefeito de Contagem, Ricardo Faria (PSD), chegou a sugerir a instauração de uma mesa de conciliação com representante dos setores interessados no Rodoanel.