O Brasil tem diante de si uma oportunidade histórica: transformar sua riqueza mineral em desenvolvimento industrial, inovação tecnológica, geração de empregos e soberania nacional. Para isso, precisamos ampliar nossa visão sobre a mineração. Não basta extrair recursos naturais. É necessário processar, transformar, recuperar materiais e agregar valor dentro do País.
Essa é a concepção que orienta a Lei nº 15.506/2026, de minha autoria, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e das terras raras. A lei incorpora uma perspectiva moderna para o setor mineral brasileiro, contemplando a mineração urbana como parte dessa estratégia nacional.
A riqueza mineral brasileira não está apenas debaixo da terra. Ela também está nos materiais que já circulam em nossa economia.
Celulares, computadores, placas eletrônicas, baterias e equipamentos descartados podem conter metais e outros materiais de interesse econômico e estratégico. Quando não são reaproveitados, desperdiçamos matérias-primas, investimentos, tecnologia e oportunidades de desenvolvimento.
A mineração urbana representa, portanto, uma nova fronteira econômica. Ela permite recuperar materiais, complementar o fornecimento de insumos para a indústria e desenvolver cadeias produtivas ligadas à coleta, à reciclagem, ao beneficiamento e à transformação industrial.
Não se trata de substituir a mineração tradicional, indispensável ao desenvolvimento nacional, mas de ampliar as possibilidades de aproveitamento dos recursos. O Brasil precisa continuar pesquisando e extraindo suas riquezas minerais, ao mesmo tempo que aprende a recuperar e reutilizar aquilo que já produziu e colocou em circulação.
A Lei nº 15.506/2026 abre o caminho para essa mudança de perspectiva ao incorporar a mineração urbana à política nacional de minerais críticos e estratégicos. O desafio agora é transformar essa diretriz em investimentos, tecnologia, empresas competitivas e resultados concretos para toda população.
Minas Gerais: tradição mineral e liderança para o futuro
Quando falamos em mineração no Brasil, Minas Gerais ocupa um lugar fundamental. A atividade mineral faz parte da história, da economia e da identidade do nosso estado. Temos conhecimento acumulado, profissionais especializados, universidades, centros de pesquisa, capacidade industrial e uma extensa experiência na atividade mineral.
Mas a tradição, por si só, não garante o protagonismo no futuro. Precisamos transformar nossas vantagens históricas em novas oportunidades de desenvolvimento.
Minas Gerais pode liderar não apenas na extração de minérios, mas também no processamento de minerais críticos, estratégicos e terras raras, no desenvolvimento de tecnologias, na reciclagem avançada e na recuperação de materiais presentes nos resíduos urbanos e industriais.
Isso significa atrair investimentos nacionais e internacionais, aproximar empresas e instituições de pesquisa, estimular novos empreendimentos e criar oportunidades para municípios de diferentes regiões mineiras. Significa ampliar a geração de emprego e renda e fazer com que uma parcela maior do valor produzido a partir dos nossos recursos permaneça em Minas Gerais e no Brasil.
Foi com essa preocupação que, durante o debate promovido pela Amcham, defendi uma proposta concreta: A criação de uma Secretaria de Estado da Mineração em Minas Gerais.
A iniciativa tem como objetivo fortalecer a capacidade de planejamento e coordenação do governo estadual, conferir maior visibilidade institucional à atividade e articular políticas públicas voltadas à mineração, à industrialização mineral, à inovação e à atração de investimentos, destacando a criação de polos regionais de mineração. Garantir sinergia com a política nacional dos minerais críticos e estratégicos, destacando a instalação do conselho dos minerais críticos, estratégicos e terras raras.
Minas Gerais que a mineração e o agro como pilares da economia,precisa ter uma estrutura de governo capaz de olhar estrategicamente para todo o setor, considerando desde a pesquisa e a extração até o beneficiamento, a transformação industrial. Até pra resolver gargalos da infraestrutura de logística e energia elétrica.
Não podemos tratar a mineração apenas como uma atividade econômica tradicional. Ela precisa ser compreendida como instrumento de política industrial, desenvolvimento tecnológico e posicionamento estratégico de Minas Gerais na economia brasileira e mundial.
O valor precisa ficar no Brasil
O mercado internacional de minerais críticos e estratégicos abre oportunidades para países que conseguem combinar recursos naturais, conhecimento científico, tecnologia e capacidade industrial. Na minha lei criamos o programa federal de beneficiamento e transformação mineral para garantir ao Brasil condições de ampliar sua participação nessas cadeias, agregaçãp de valor e superar a prática de simples comercialização de matérias-primas.
Precisamos desenvolver processos de beneficiamento e refino, estimular a inovação, fortalecer a indústria nacional e criar condições para que empresas brasileiras participem das etapas de maior valor agregado.
A mineração urbana faz parte desse mesmo raciocínio. Recuperar um material é importante; transformá-lo em insumo industrial e reinseri-lo na cadeia produtiva é ampliar seu potencial econômico.
Para isso, são necessários investimentos, segurança jurídica, rastreabilidade, logística reversa eficiente, mão de obra qualificada e cooperação entre governos, empresas, universidades e centros de pesquisa.
Essa transformação também exige responsabilidade ambiental. O crescimento da atividade mineral, seja pela extração convencional ou pela recuperação de materiais, deve caminhar com o cumprimento das normas, a destinação adequada dos rejeitos e a proteção das comunidades e dos territórios.
Uma nova visão para a mineração brasileira
A Lei nº 15.506/2026 representa um marco para a construção de uma estratégia nacional que associa minerais críticos,estratégicos e terras raras à industrialização, ao desenvolvimento tecnológico e à redução das vulnerabilidades das cadeias de suprimento.
Agora, precisamos fazer essa visão chegar aos estados, aos municípios, às empresas e aos centros de pesquisa. Em Minas Gerais, isso significa aproveitar nossa tradição para abrir novas fronteiras de desenvolvimento, fortalecer a capacidade institucional do estado e preparar nossa economia para as transformações tecnológicas e industriais em curso.
Defendo que Minas Gerais assuma o protagonismo dessa agenda, com planejamento, coordenação governamental, investimentos e diálogo permanente com a população, setor produtivo. A proposta de criação de uma Secretaria de Estado da Mineração é uma contribuição concreta para esse debate e para a construção de uma política estadual compatível com a importância mineral mineira.
O futuro da mineração não será definido apenas por quem possui as maiores reservas, mas também por quem consegue transformar recursos em conhecimento, tecnologia, indústria, emprego e renda.
Minas Gerais construiu parte de sua história a partir das riquezas do subsolo. Temos agora a oportunidade de escrever um novo capítulo: liderar uma mineração que extraia com responsabilidade, transforme com inteligência e recupere com inovação.
Essa é a visão que defendo para o Brasil e para Minas Gerais: uma mineração que gere mais valor, amplie oportunidades e contribua para o desenvolvimento sustentável do nosso País.