“Tenho orgulho de ser atriz.”
Walkiria La Roche escolhe o ofício para falar de uma vida que atravessou muitos palcos. Foi intérprete, apresentadora, diretora artística, organizadora de espetáculos e, mais tarde, gestora pública. Conheceu os bastidores da noite de Belo Horizonte, o brilho das apresentações e as dificuldades de uma profissão que exige permanente reinvenção. Mas é à arte que retorna quando precisa explicar o que a sustentou. “A arte me salvou física e psicologicamente.”
A afirmação ganha profundidade quando conhecemos sua adolescência. Aos dezesseis anos, expulsa de casa, Walkiria saiu levando apenas a roupa do corpo e, dentro de um saco de lixo preto, o figurino de uma apresentação que havia feito numa quermesse. Chorou durante quatro dias. Depois, diante da necessidade de sobreviver, procurou trabalho. A roupa destinada a um pequeno espetáculo era um dos poucos pertences que lhe restavam. Aquele figurino acabaria acompanhando o início de uma carreira que faria dela uma das presenças mais conhecidas da vida cultural de Belo Horizonte.
Entretanto, quando lhe perguntei sobre a infância, não começou pela expulsão. Começou pela mãe. Uma servidora pública que permanece como sua principal referência de mulher, de ética e de caráter, alguém que considera o alicerce da família. Há delicadeza nessa lembrança, porque sua história familiar conheceu uma ruptura dolorosa, mas também vínculos de afeto que permaneceram. Foi a mãe, por exemplo, quem contribuiu financeiramente para que continuasse estudando. As relações humanas raramente se deixam compreender por um único acontecimento.
Nascida em Belo Horizonte, Walkiria cresceu no bairro Carlos Prates. Aos quatro anos, por iniciativa materna, começou a praticar natação. Depois vieram o voleibol e a musculação. O esporte lhe ofereceu disciplina, consciência corporal e uma familiaridade com o movimento que seria importante para sua profissão artística. Antes de encontrar seu lugar nos espetáculos, já aprendera a conhecer o próprio corpo, seus limites e possibilidades. Essa formação permaneceria na postura e na interpretação, numa carreira em que a leveza aparente frequentemente resulta de muito trabalho.
Ainda adolescente, uma amiga a convidou para participar de uma quermesse no bairro Pindorama. Walkiria recorda as dificuldades de atravessar Belo Horizonte naquele tempo, quando os deslocamentos eram demorados e exigiam disposição. Aceitou o convite, preparou o figurino e descobriu a emoção de aparecer diante de uma plateia. A música, a interpretação e o cuidado com a aparência ofereciam possibilidades que começava a experimentar. Pouco depois, aquela roupa acompanharia sua saída da casa familiar.
Penso no antropólogo Roberto DaMatta, que examinou, em A casa & a rua, duas dimensões fundamentais da vida brasileira. A casa, associada à intimidade, aos afetos e à proteção; a rua, à exposição e ao encontro com o desconhecido. Na experiência de Walkiria, esses significados pareciam trocar de lugar. A casa deixara de oferecer abrigo, enquanto a rua, apesar de seus riscos, começava a apresentar-lhe oportunidades de trabalho e convivência. Foi na cidade, entre pessoas que ainda não conhecia, que encontrou condições para construir sua autonomia.
Conseguiu emprego no corpo de baile de uma casa de entretenimento adulto, frequentada por clientes de alto poder aquisitivo. Era um estabelecimento onde também trabalhavam mulheres profissionais do sexo; Walkiria atuava como artista. Ali conheceu uma contradição que marcaria sua maneira de compreender a sociedade: homens que, durante a noite, apreciavam aqueles espetáculos e conviviam com seus profissionais podiam, fora dali, condenar publicamente os mesmos comportamentos que haviam procurado.
Mulher trans, Walkiria reconhece sua identidade feminina desde a infância. O palco não criou essa identidade. Ofereceu-lhe trabalho, uma linguagem artística e a possibilidade de desenvolver uma carreira. Vieram os ensaios, as coreografias, a preparação dos números musicais, os figurinos e a atenção permanente à plateia. Aprendeu o ofício trabalhando, num ambiente em que a música e o movimento se encontravam com a interpretação teatral.
A Belo Horizonte em que começou a atuar possuía uma vida noturna formada por gerações anteriores de artistas e empresários. As pesquisas do historiador Luiz Morando recuperaram episódios importantes dessa história, entre eles o concurso de Miss Travesti Minas Gerais realizado em 1966, na boate Cavalo Branco, com autorização policial. A vencedora foi Sofia de Carlo, então com dezenove anos, que se tornaria conhecida na cena artística da capital. A própria necessidade de autorização revela muito sobre aquela época, quando uma apresentação podia depender do julgamento moral das autoridades.
No ano seguinte, o grupo Les Girls, conhecido pelos palcos cariocas, encontrou portas fechadas em Belo Horizonte. O Teatro Francisco Nunes não recebeu o espetáculo, assim como outros espaços procurados pelos produtores. Somente em 1970, com outra formação, suas artistas conseguiram apresentar-se na cidade. Enquanto determinados estabelecimentos resistiam, a noite desenvolvia circuitos próprios de criação e convivência.
Havia nesses ambientes uma cultura que não se encontrava inteiramente representada nos teatros oficiais. A música, a dança, o humor e a caracterização conviviam com referências internacionais que chegavam pelo cinema, pela televisão e pelos discos. Artistas e empresários criavam novas formas de entretenimento, enquanto os frequentadores construíam amizades que sobreviveriam ao desaparecimento de muitas daquelas casas.
Depois de apresentar-se no bar Soft, no bairro de Lourdes, Walkiria conheceu o empresário Elias, que a convidou para participar da inauguração da boate Fashion, na rua Cláudio Manoel, no Funcionários. A casa se tornaria uma referência da vida noturna belo-horizontina, reunindo música, espetáculos e pessoas que procuravam outras possibilidades de convivência.
Foi no palco da Fashion que a vi pela primeira vez.
Cheguei a Belo Horizonte em 1994. Quando recordo aquelas noites, os sentimentos não obedecem a uma ordem tranquila. Primeiro o medo, depois a liberdade. Outra vez o medo, outra vez a liberdade. E então a alegria, inteira, inesperada, acompanhada pelo receio de perdê-la. O medo voltava, a liberdade também, e a alegria reaparecia na música, nos encontros e nas possibilidades de afeto. Havia felicidade naquela descoberta, e não quero que o medo a apague na lembrança. Eu começava a conhecer Belo Horizonte e, de alguma maneira, a compreender melhor a mim mesmo. Walkiria estava naquele palco, participando de uma história que eu ainda não conhecia em toda a sua extensão.
A Fashion pertence à minha descoberta de Belo Horizonte. Para Walkiria, era uma etapa de uma carreira que ganharia novas dimensões. Uma cidade não se constitui apenas por seus edifícios e ruas, mas também pelos encontros, pelos afetos e pelas sensações que determinados lugares deixam em nós.
Walkiria tornou-se anfitriã, apresentadora e diretora artística, assumindo responsabilidades pela organização de espetáculos e pela programação de estabelecimentos. Trabalhou em casas como Pagã, Erótica, Excess, Josefine e Jo, acompanhando transformações importantes da vida noturna de Belo Horizonte.
Uma de suas decisões profissionais mais significativas foi deixar a Erótica, então em momento de grande movimento, para participar de um novo projeto na Savassi. A antiga L’Apogée, associada ao entretenimento da alta sociedade belo-horizontina, deu lugar à Excess e, posteriormente, à Josefine. Walkiria aceitou o risco de ajudar a construir uma nova casa, estabelecer relações com empresários e artistas, formar equipes e conquistar outros públicos.
Na Josefine, onde permaneceu durante muitos anos, tornou-se uma presença familiar para diferentes gerações. Recebia convidados, apresentava números musicais e participava de programações que reuniam dança, humor, caracterização e música eletrônica. A casa ocupou um lugar importante na transformação da noite da Savassi, atraindo públicos diversos e construindo uma atmosfera em que a festa e a convivência se encontravam.
Walkiria conhecia tanto o brilho do palco quanto os bastidores. A plateia encontrava música, luz e apresentações que pareciam acontecer naturalmente. Ela conhecia também os ensaios, os horários, os imprevistos e o trabalho de produtores, técnicos, bailarinos e equipes responsáveis pelo funcionamento da casa. Aprendeu a conduzir essas exigências sem perder o prazer de apresentar-se.
Alguns números permaneceram na memória daquela época. Em setembro de 2004, durante sua comemoração de aniversário na Josefine, apareceu dentro de uma grande taça cenográfica, numa performance inspirada em Beyoncé. Entre espuma, luzes e bailarinos, construiu uma apresentação que combinava música pop, caracterização e teatralidade. A cena foi tão lembrada que voltou à programação de aniversário da casa no mês seguinte.
Walkiria também participou da popularização dos chamados Clubes das Mulheres, apresentações com bailarinos masculinos que atraíram grande público no final dos anos 1990. Anos depois, recordaria com humor que mulheres que frequentavam aquelas festas passaram a procurá-la para organizar comemorações destinadas às filhas e até às netas. Atravessara gerações sem perder a relação com o público.
Em 2015, a tradicional Quinta Mix, programação que apresentava na Josefine, ganhou o nome de Club La Roche. A mudança veio acompanhada de novos recursos cenográficos e da proposta de levar o projeto a outras casas. Seu nome passava a identificar também uma programação. No ano seguinte, realizou apresentações na Qube Club, em Divinópolis, conduzindo encontros com convidados e participando de espetáculos de música e dança.
A longevidade artística exige curiosidade. Mudam as músicas, os figurinos, as tecnologias e as maneiras de frequentar a noite. Walkiria acompanhou essas transformações sem abandonar o palco. Conheceu os panfletos de divulgação, os anúncios impressos, a expansão da música eletrônica e a chegada dos meios digitais, aprendendo a conversar com públicos que já não eram os mesmos de sua juventude.
Nos anos recentes, incorporou ao repertório números inspirados em Deborah Cox, Beyoncé e Madonna. Em 2024, participou de uma homenagem à The Celebration Tour, interpretando Like a Prayer e Live to Tell, com figurinos preparados especialmente para a montagem. Depois da apresentação, uma limusine levou a artista e seus convidados pelas ruas da Savassi e de Lourdes, prolongando a festa para além da casa noturna.
Ao comentar aquela montagem, Walkiria fez uma distinção reveladora: não pretendia simplesmente imitar Madonna, mas interpretá-la. O figurino pode aproximar a aparência de uma artista; a interpretação exige repertório, presença corporal e uma relação particular com a música e a plateia.
Em artigo publicado no Estado de Minas, em dezembro de 2021, Walkiria recordou quatro décadas de vida noturna e disse sentir orgulho de ter se apresentado para pessoas de três gerações. Escreveu também que fazia parte da história da vida delas, assim como elas faziam parte da sua. Entre artistas, profissionais e espectadores, formaram-se relações que sobreviveram às mudanças dos estabelecimentos e da própria cidade.
Essa proximidade também ajudou a conduzi-la à vida pública. Durante os anos 1990, a epidemia de HIV e aids havia ampliado a necessidade de campanhas de prevenção e atendimento. Walkiria começou a participar dessas iniciativas a partir de sua convivência com o público das casas noturnas. Foi por meio de Porcina D’Alessandro que se aproximou do Grupo de Apoio e Prevenção à Aids, o GAPA, passando a envolver-se em projetos comunitários.
Ao lado de Porcina, participou da criação da Associação de Travestis e Transexuais de Minas Gerais, a ASSTRAV. O trabalho inicialmente concentrado na prevenção foi ampliado para ações educacionais, campanhas de vacinação e iniciativas relacionadas à segurança pública. Walkiria conhecia de perto dificuldades enfrentadas por pessoas trans e passou a participar da construção de respostas organizadas a esses problemas.
A formação acadêmica lhe ofereceu outros instrumentos. Graduou-se em Educação Física pela Universidade Federal de Minas Gerais e especializou-se em Gestão de Políticas Públicas pela PUC Minas. Os estudos se somavam ao conhecimento adquirido nos espetáculos e no convívio com pessoas de diferentes realidades sociais.
Diante de relatos de abordagens policiais arbitrárias, procurou instituições de segurança e participou de atividades de formação de agentes. A mulher que conhecera a repressão contribuía agora para a preparação de profissionais responsáveis pelo atendimento à população. O trabalho exigia firmeza, negociação e disposição para dialogar com instituições que nem sempre haviam compreendido as necessidades das pessoas atendidas.
No início dos anos 2000, assumiu responsabilidades relacionadas ao Centro de Referência da Diversidade Sexual de Belo Horizonte. Em 2006, passou ao governo de Minas Gerais, na coordenação do Centro de Referência Homossexual estadual, tornando-se uma das primeiras mulheres trans a ocupar uma função executiva na administração mineira.
A vida pública trouxe outras exigências. Era necessário organizar equipes, estabelecer procedimentos e articular instituições. Mas Walkiria já conhecia o valor da preparação, do trabalho coletivo e da capacidade de compreender públicos distintos. O aprendizado da artista e da diretora acompanhava a gestora em suas novas responsabilidades.
Ao longo dos anos, participou de iniciativas relacionadas ao reconhecimento do nome social, à formação policial e ao atendimento de pessoas vítimas de discriminação. Seu trabalho alcançou questões concretas de saúde, educação e segurança.
Foi no sistema prisional que encontrou uma das experiências mais difíceis de sua trajetória.
Durante visitas e levantamentos em unidades penitenciárias mineiras, conheceu relatos de graves violências contra pessoas gays, travestis e transexuais privadas de liberdade. Mulheres trans tinham os cabelos raspados, sua identidade desconsiderada e estavam expostas a agressões físicas e sexuais. A pena determinada pela Justiça era acompanhada por humilhações que nenhuma condenação autorizava.
Walkiria participou das articulações que levaram, em 2009, à implantação de uma ala específica de proteção no Presídio de São Joaquim de Bicas II. A medida procurava reduzir a exposição à violência e oferecer condições mais adequadas de atendimento. Não eliminou os problemas do encarceramento, mas reconheceu uma responsabilidade fundamental: o Estado, ao assumir a custódia de alguém, deve proteger sua integridade física e moral.
Ao recordar sua vida pública, Walkiria considera esse trabalho uma das experiências que mais a marcaram. A adolescente que conhecera a exclusão participava, anos depois, da construção de uma resposta institucional para pessoas submetidas a situações de extrema vulnerabilidade.
Sua atuação continuou nas décadas seguintes. Em 2026, permanece no governo de Minas Gerais como diretora estadual de Políticas de Diversidade da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social. A administração pública passou a fazer parte de sua vida profissional, sem substituir a arte.
Walkiria continuou a apresentar-se, reencontrar antigos frequentadores e trabalhar com artistas de outras gerações. Em fevereiro de 2018, foi homenageada no tradicional Baile dos Artistas, realizado no foyer do Grande Teatro do Palácio das Artes. Era um reconhecimento à carreira construída durante décadas de trabalho.
Em 10 de agosto de 2023, a Batalha Drag de Lip Sync chegou pela primeira vez ao Grande Teatro do Palácio das Artes. Walkiria apresentou o espetáculo, que reuniu oito artistas e contou com a participação especial de Karol Conká. A programação aproximava diferentes gerações numa linguagem artística que havia encontrado, durante muito tempo, seus principais espaços nas casas noturnas.
Eu estava naquela noite no teatro.
Walkiria conduzia o espetáculo diante de uma plateia que acompanhava a música, os figurinos e as interpretações com uma naturalidade talvez impossível de imaginar nos tempos de sua juventude. Lembrei-me da Fashion e da alegria que havia naquela descoberta de Belo Horizonte, mesmo entre tantos receios.
Na década de 1960, artistas de Les Girls haviam encontrado portas fechadas na capital. Em 2023, uma nova geração ocupava um de seus principais palcos. A mudança não significava o desaparecimento dos preconceitos, mas revelava outras possibilidades de reconhecimento e convivência.
As boates, entretanto, nunca dependeram do Grande Teatro para que sua produção tivesse valor artístico. Ali já existiam criação, repertório, profissionais e públicos formados durante décadas. O que se ampliava era a compreensão das instituições culturais sobre as expressões que poderiam ocupar seus espaços.
Em julho de 2025, Walkiria voltou a apresentar a Batalha Drag no Grande Teatro. Ao comentar o significado dessas apresentações, utilizou uma expressão que revela sua percepção da história: uma retratação histórica. Era a maneira como compreendia um reconhecimento que chegava depois de tantos anos de trabalho.
Sua trajetória também passou a ser registrada em documentários, entrevistas e pesquisas acadêmicas. Em 2024, participou de A Cidade das Maravilhas, produção da Globo Minas dedicada à memória LGBTQIA+ de Belo Horizonte. No ano seguinte, tornou-se tema do podcast Walkiria: da porta pra fora!, que recuperou lembranças da infância, da família, da carreira artística e da atuação pública.
Mas Walkiria não é apenas a mulher que enfrentou dificuldades ou participou de transformações sociais. É também alguém que gosta dos espetáculos, conserva o humor e cultiva os afetos. Foi casada algumas vezes, viveu relacionamentos longos e hoje prefere definir sua condição sentimental como amizade especial, parceria fixa, expressão que ela mesma traduz, com graça, como amizade colorida.
A irreverência que aparece no palco também alcança as conversas sobre a vida. Walkiria não precisa transformar todas as experiências difíceis em solenidade. Conserva o prazer de brincar, interpretar, receber pessoas e compartilhar histórias.
É quando fala dos amigos, entretanto, que sua narrativa adquire maior delicadeza. Muitos a acompanham há décadas. Conheceram diferentes momentos de sua vida, frequentaram os mesmos lugares, compartilharam dificuldades e celebraram conquistas. Alguns permanecem desde os primeiros anos da carreira, enquanto outros chegaram depois, quando seu nome já fazia parte da memória cultural de Belo Horizonte.
Essas amizades foram cultivadas ao longo dos anos, nas afinidades, no trabalho, nas alegrias compartilhadas e na disposição de permanecer presente na vida de outras pessoas. Não se explicam apenas pela necessidade de proteção de quem, muito cedo, precisou encontrar condições para viver fora da casa familiar. São também o resultado de uma existência inteira dedicada aos encontros.
Quando penso em Walkiria, volto à Fashion de 1994 e à noite de agosto de 2023 no Palácio das Artes. Entre aqueles dois palcos, mudaram os espaços culturais, os costumes e as possibilidades de convivência. Nós também mudamos.
A adolescente que saíra de casa com um figurino dentro de um saco de lixo preto construíra uma profissão, estudara, dirigira casas de espetáculo, atravessara gerações nos palcos e participara da administração pública mineira. A arte, que lhe oferecera uma maneira de sobreviver, tornou-se também uma forma de permanecer na memória da cidade.
Quando lhe perguntei qual considerava sua maior realização, Walkiria poderia ter escolhido os espetáculos, os cargos públicos, os reconhecimentos ou a carreira construída ao longo de décadas.
Falou dos amigos.