A estratégia por trás do encontro de Zema com uma ex-assessora de Michel Temer

Reunião aconteceu em São Paulo; economista é vista como uma das principais especialistas em contas públicas do país
Ana Paula Vescovi é economista-chefe do Santander Brasil. Foto: Agência Brasil

Poucos dias depois de o ex-presidente Michel Temer (MDB) ter aconselhado o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), a conduzir uma ampla coalizão do campo de direita visando as eleições presidenciais de 2026, o chefe do Executivo mineiro participou de uma reunião reservada com Ana Paula Vescovi, ex-secretária do Tesouro Nacional e secretária-executiva do Ministério da Fazenda durante o governo Temer. O encontro ocorreu nesta segunda-feira (28), em São Paulo (SP).

Durante a manhã, a agenda oficial de Zema, disponível no site da Agência Minas, portal oficial de informações do Palácio Triadentes, não fazia menção a um encontro com Vescovi. Depois, a seção foi atualizada, passando a ter uma citação à conversa com a ex-funcionária do governo Temer.

Atualmente, Ana Paula Vescovi é economista-chefe do Santander Brasil, além de assinar coluna no jornal Folha de S.Paulo.

A economista é vista como uma das principais especialistas em contas públicas do país. Apesar disso, a reunião teve conotação política. A aproximação de Zema com figuras ligadas ao antigo governo Temer é lida nos bastidores como um passo concreto para a formação de alianças no campo da centro-direita eda direita liberal. A proposta de Michel Temer, feita em jantar em São Paulo na semana passada, sugere a união de partidos como MDB, União Brasil, Novo e setores do PSDB em torno de uma candidatura única em 2026.

Neste contexto, Ana Paula Vescovi poderia ter papel de articuladora técnica no ramo financeiro para dar credibilidade a uma possível candidatura de Zema – ou outro nome do mesmo campo político – à Presidência da República. Zema tem sinalizado publicamente ambições nacionais.

Histórico

Ana Paula Vescovi se tornou secretária do Tesouro Nacional em 2016, por indicação do então ministro da Fazenda, Henrique Meirelles – apenas um mês após o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência, quando o Senado decidiu pela abertura do processo que culminou com impeachment da ex-presidente.

Como Secretária do Tesouro, Vescovi teceu críticas públicas ao governo Dilma. Na época, o país vivia os efeitos da crise econômica de 2014, entre eles a recessão. Para Vescovi, a causa da crise estava no uso indiscriminado de “experimentos socioeconômicos entre 2011 e 2013” – ela se referia à nova matriz econômica, conjunto de políticas econômicas heterodoxas aplicadas no governo Dilma.

Em julho de 2019, Vescovi assumiu o cargo de economista-chefe do Santader Brasil, liderando as atividades dos departamentos de economia do Santander Corporate Investment Banking (SCIB) e CFO que passaramm a fazer parte de uma única área.

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