Aneel reduz pela metade multa de R$ 54 milhões à Cemig por não conectar placas solares à rede elétrica

Após pedido da distribuidora, agência alterou penalidade para R$ 24,5 milhões
Foto mostra agência da Cemig
Unidade da Cemig. Guilherme Dardanhan/ALMG

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reduziu, em mais da metade, a multa de R$ 53,7 milhões aplicada no ano passado à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A pena é atribuída à recusa da distribuidora em conectar micro e mini sistemas de placas solares à rede de distribuição elétrica.

A revisão foi confirmada em despacho publicado nesta quarta-feira (29) pelo superintendente de fiscalização técnica dos serviços de energia elétrica da Aneel, Giácomo Francisco Bassi Almeida. Agora, a sanção será de R$ 24,5 milhões.

O relatório da área de fiscalização da Aneel foi feito a partir de dados de 2024. Na ocasião, a agência verificou que, das 356.674 solicitações de conexão de micro e minigeração distribuída (MMGD) — nome técnico dado aos pequenos sistemas de placas solares, inclusive aqueles instalados em telhados — feitas à Cemig, 35,5% foram indeferidas e 10% perderam o prazo de validade.

Com os dados em mãos, os técnicos analisaram uma amostra de 100 casos. Desses, foram encontradas irregularidades no indeferimento de 13, o que fez a agência estimar que, no total, 15.532 vetos haviam sido decididos de forma indevida — ou seja, sem respaldo na lei.

Os 13 casos iniciais em que a Aneel constatou irregularidades estão nos municípios de Três Corações, Buritizeiro, Montes Claros, Jaboticatubas, São João da Ponte, Patis, Pedra do Indaiá, Barbacena, Claro dos Poções, Curvelo, Boa Esperança e São Gonçalo do Abaeté.

Após contestações iniciais da Cemig, o número de casos que baseou a estimativa geral da agência caiu para 10.

“Inversão de fluxo”

A recusa da Cemig em conectar micro e minigeração distribuída (MMGD) à rede elétrica faz parte de uma das principais discussões do setor de energia do Brasil atualmente.

Com o aumento de instalações de placas solares no país, a forma como a energia é gerada sofreu mudanças. Antes da expansão, quase toda a eletricidade consumida no país era gerada em grandes usinas hidrelétricas, solares, eólicas e termelétricas e, por meio de linhas de transmissão e distribuição, escoada para indústrias e residências.

Mas após o boom da geração distribuída, entre 2021 e 2022, parte da geração passou a ser feita dentro das casas. Com isso, passou a ser escoada das residências para o sistema de distribuição de energia quando não consumida. Hoje, cerca de 7% de toda a geração de energia do país vem da micro e minigeração distribuída.

A mudança afetou a rotina das distribuidoras, que agora precisam se preocupar com a chamada “inversão de fluxo”, quando a geração de energia de uma residência supera o próprio consumo, deslocando energia do consumidor para as linhas de transmissão.

As distribuidoras alegam que, em alguns casos, essa inversão pode afetar a integridade dos aparelhos da rede elétrica, o que geraria custos adicionais às empresas.

A minigeração distribuída localizada longe das residências também preocupa as distribuidoras. Nesse caso, empresas instalam placas solares em locais remotos, solicitam a conexão e vendem cotas do empreendimento para consumidores residenciais, que podem usufruir da série de incentivos financeiros dados aos detentores de MMGD.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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