As interpretações do recado do ministro Alexandre Silveira para a eleição em BH

Quem recebeu o vídeo do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, comemorando o aniversário de Belo Horizonte e utilizando o mote de campanha do deputado Rogério Correia (PT), que lançou sua pré-candidatura a prefeito da capital na última terça (12), pode ter entendido que Silveira sinalizou de vez um apoio ao nome do petista. Só que o diabo mora nos detalhes: o ministro não mencionou a eleição e nem a pré-candidatura de Correia. Pelo contrário, O FATOR apurou que o texto enviado pela equipe do deputado à assessoria de Silveira foi levemente alterado para evitar embaraços com o PSD, partido que tem no ministro a principal liderança no Estado, e para não endossar candidatura alguma por agora.

Há, ainda, quem tenha interpretado o vídeo gravado por Silveira, e divulgado pela equipe de Rogério Correia, mais como um recado ao prefeito Fuad Noman, correligionário de PSD, do que exatamente uma sinalização positiva aos petistas. Fuad, apesar de estar na mesma legenda e ter o apoio do deputado Cássio Soares, presidente estadual do PSD, ainda conquistou a simpatia da maioria das lideranças pessedistas. Na real, a proximidade do prefeito com o secretário de Casa Civil de Zema, Marcelo Aro, tem irritado colegas de partido – alguns, como o deputado federal Luiz Fernando Faria, já mencionaram que Fuad pode não ter a validação nas convenções partidárias para ser o candidato.

Independentemente da posição de Fuad, dificilmente Silveira e o PT caminharão distantes na eleição de 2024 em Belo Horizonte – com ou sem a candidatura de Rogério Correia. O ministro tem se aproximado, a nível pessoal, do presidente Lula desde a eleição do ano passado e, mais recentemente, passou a ser convocado pelo petista para participar de reuniões estratégicas que não envolvem, exatamente, temas do Ministério de Minas e Energia.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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