As ligações políticas em MG do homem preso pela PRF transportando R$ 746 mil em dinheiro vivo

Vieira foi preso no início de abril em São Paulo, na rodovia Fernão Dias, e disse ter buscado o recurso na sede de um partido
Em depoimento, Vieira afirmou que havia retirado o valor em uma reunião do Podemos, em São Paulo. Foto: Divulgação/PRF

O homem preso com R$ 746 mil em dinheiro vivo na Rodovia Fernão Dias, em São Paulo, no início de abril, atua como articulador político do pré-candidato a deputado federal Thiago Milhim, conhecido como Thiago Ganem, desde o ano passado. Milhim se filiou ao PL de Minas Gerais em março.

José do Carmo Vieira, de 66 anos, tem histórico em estruturas partidárias em Belo Horizonte e participou de articulação recente que resultou no ingresso de Milhim nos quadros do PL.

A prisão de Vieira foi noticiada pelo Metrópoles. O Fator confirmou as informações e apurou a atuação dele nos bastidores políticos ligados ao pré-candidato.

Como O Fator já mostrou, apesar da filiação com o objetivo de concorrer à Câmara dos Deputados, o integrante do grupo político liderado pelo deputado federal Bruno Ganem (Podemos-SP) está em uma espécie de lista de espera montada pelo PL — e só entrará na chapa se houver problemas com os pré-candidatos inicialmente listados.

Vieira foi abordado no dia 9 de abril pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na altura do km 7 da Rodovia Fernão Dias, no município de Vargem (SP). Ele estava no banco do passageiro de um Hyundai HB20, onde os agentes encontraram dinheiro em espécie armazenado em uma caixa no banco traseiro. O veículo era conduzido pelo policial civil aposentado Sergio Felipe, de Minas Gerais. Os dois foram encaminhados à Polícia Federal em Campinas para averiguação por possível prática de lavagem de dinheiro e crime eleitoral.

Sérgio Felipe também tem ligações com Thiago Milhim: o policial utilizou emojis de palmas para comentar um vídeo publicado pelo pré-candidato a deputado nessa segunda-feira (27), no Instagram.

Em depoimento, Vieira afirmou que havia retirado o valor em uma reunião do Podemos, em São Paulo, e que os recursos seriam utilizados para pagamentos. Ele declarou ainda atuar como “coordenador político” do partido, mas não apresentou informações sobre a origem do montante.

Horas antes da abordagem, Sergio Felipe postou nas redes sociais uma imagem em frente a um banner de evento da Fundação Juntos Podemos, ligada à legenda, realizado na capital paulista.

Vieira tem histórico na política mineira. Ele foi assessor do ex-vereador de Belo Horizonte Índio e, na década passada, presidiu o diretório municipal do PTN, legenda que mudou de nome para Podemos em 2017.

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