Conselho gestor e dotação orçamentária própria: como a Fapemig pode ganhar autonomia

PEC que muda modelo de gestão da fundação avança por comissões da Assembleia amparada por argumento de fortalecimento à pesquisa
Fachada Fapemig / Vanessa Fagundes

Dois dias depois de empossar o secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio, como presidente do Conselho Curador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), a entidade pode sofrer alterações em sua forma de ser administrada. Isso porque a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) deu aval a uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dá autonomia científica e administrativa à fundação.

O texto, aprovado pela CCJ nessa terça-feira (20), será, agora, analisado por uma comissão especial formada por deputados estaduais. Depois, a proposta estará pronta para votação em 1° turno no plenário da ALMG.

A ideia é que a Fapemig tenha a autonomia assegurada por um conselho curador composto por representantes das instituições de pesquisa de Minas Gerais. É esse conselho quem vai definir as políticas científicas e administrativas. A forma como o comitê será escolhido também muda e ocorrerá com indicação de lista tríplice pelo conselho curador.

Para a deputada Lohanna França (PV), primeira signatária da PEC sobre a autonomia da fundação, a aprovação do texto é importante para fortalecer ações de pesquisa no estado para garantir a atuação independente do setor.

Questionada se haveria alguma relação entre a PEC e os movimentos que poderiam indicar um suposto aparelhamento político da entidade de pesquisa, Lohanna minimizou:

“Parte sim, parte não. Após o decreto do governo que alterou as estruturas burocráticas da Fapemig, amplamente criticado pelas instituições de ensino e pesquisa de Minas, percebemos que havia mesmo onde melhorar visando fortalecer a autonomia institucional para evitar que a fundação fique sujeita à vontade do governo da ocasião”, disse, a O Fator.

Atualmente, o Conselho Curador da Fapemig é formado por quatro pessoas escolhidas pelo governador para mandatos de quatro anos sem a possibilidade de recondução.

Diego Torres é jornalista e já foi repórter, editor e coordenador de conteúdo em veículos de imprensa em Minas Gerais e no Maranhão, tendo passagens em produção de TV, rádio, jornal e portal. Três vezes vencedor do Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, já foi correspondente do portal Terra e repórter freelancer de portais como Nexo e Jota.

Leia também:

Governo de MG admite ‘dificuldades pontuais’ em novo sistema do SUS, mas diz que falhas foram solucionadas

O MDB quer Pacheco… para o TCU

O que Aécio disse a sindicalistas contrários à privatização da Copasa

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse