A derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial abriu uma disputa por culpados na direita mineira. Em Minas, o candidato do PL não conseguiu repetir o desempenho do primeiro turno e terminou atrás do petista.
Lula foi reeleito neste domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em Minas, o petista teve 50,43%, e Flávio, 49,57%.
Integrantes da campanha do PL apontam o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o vice eleito Luís Eduardo Falcão (Republicanos) como peças que não entraram de cabeça na disputa, sobretudo depois de vencerem com folga a eleição estadual.
Na visão desse grupo, a dupla só apareceu em atos pontuais e na reta final, e principalmente depois de cobranças. Cleitinho e Falcão participaram da motociata em Belo Horizonte na véspera, votaram no domingo e acompanharam a apuração.
Nas semanas anteriores, porém, não fizeram a parte deles, de acordo com as fontes. “Estavam mais ocupados em comemorar a vitória de 4 de outubro do que em converter o próprio eleitorado em votos para Flávio. Não fizeram o dever de casa”, afirma um dos caciques do PL, sob reserva.
Outro ponto lembrado nos bastidores é a postura de Cleitinho ao longo da campanha. O governador eleito repetiu que procuraria o vencedor da eleição, qualquer que fosse, para governar Minas. A declaração irritou aliados de Flávio.
O peso de Minas
A cobrança se explica pelo tamanho do capital eleitoral de Cleitinho. Ele se elegeu com 55,41% dos votos válidos, mais de 6,2 milhões de eleitores. No mesmo dia, Flávio teve 5,77 milhões de votos no estado, cerca de meio milhão a menos que o governador eleito.
Naquela rodada, o candidato do PL terminou à frente de Lula em Minas com 588 mil votos de vantagem. Em 2022, Lula derrotou Jair Bolsonaro (PL) no estado por apenas 40.650 votos e venceu a eleição nacional.
Nas bases eleitorais da dupla, porém, Flávio venceu. Foi o caso de Divinópolis, cidade natal de Cleitinho, e de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, que Falcão governou por dois mandatos.
Cleitinho e o PL
Cleitinho não teve o palanque oficial do PL no primeiro turno. O partido lançou ao governo o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que terminou em terceiro lugar.
Como mostrou O Fator, Flávio chegou a traçar uma estratégia para liberar deputados do PL a apoiar Cleitinho sem abandonar a candidatura de Roscoe. Antes da votação, Cleitinho rejeitava a tese de ausência.
O governador eleito declarou apoio a Flávio ainda em janeiro e tinha encontro marcado com o candidato em Brasília logo após o primeiro turno. Em 8 de outubro, afirmou que sempre fez campanha para Flávio e que continuaria a fazer.