Diante do peso de Minas Gerais na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro deu início a uma readequação tática em seu palanque no estado. O presidenciável do PL passou a conceder avais individuais para que candidatos e parlamentares da legenda façam campanha ao lado de Cleitinho Azevedo (Republicanos). O plano é preservar a candidatura de Flávio Roscoe ao governo mineiro e evitar que eleitores do senador se distanciem da campanha liberal ao Palácio do Planalto.
A virada de postura resulta de uma combinação de fatores. O primeiro, apurou O Fator, é o desempenho do próprio Cleitinho nas pesquisas. O senador lidera a corrida ao Palácio Tiradentes, enquanto Roscoe, nome oficial do PL, segue distante dos primeiros colocados. As deserções mais recentes foram dos deputados federais Maurício do Vôlei e Junio Amaral. Ambos tentarão a reeleição.
Soma-se a isso o risco de a fragmentação da direita abrir caminho para a chegada de Patrus Ananias (PT) ao 2° turno. Na avaliação de aliados próximos a Flávio, a preocupação extrapola a eleição local e alcança diretamente o projeto nacional do partido. Chegar à reta final com a direita mineira dividida é visto como uma falha.
O cálculo ganhou peso após os números do mais recente levantamento da Quaest. Pela primeira vez, Flávio aparece numericamente à frente do presidente Lula em um eventual segundo turno em Minas Gerais, com 40% das intenções de voto, contra 37% do petista. Embora trate-se de um empate dentro da margem de erro, o resultado reforçou a centralidade do estado na estratégia da pré-candidatura presidencial.
A bênção não é dada em lote. Cada parlamentar ou candidato interessado em dividir palanque com Cleitinho precisa tratar diretamente com Flávio e solicitar o aval. O presidenciável analisa os pedidos individualmente antes de liberar ou barrar a aproximação.
Procurado por O Fator, Cleitinho afirmou que ainda não recebeu convite formal para se encontrar com Flávio. O senador garantiu que, se receber o chamado, irá participar da agenda do presidenciável “com bom grado”.
Já Roscoe lembrou as manifestações públicas de apoio de Flávio Bolsonaro. Segundo a equipe de campanha dele, a entrada na disputa foi definida “em consenso com todas as lideranças mineiras” do partido.
“A candidatura tem apoio de diversos parlamentares do PL e segue firme rumo à votação, em 4 de outubro, com propostas sólidas para melhorar a vida do povo mineiro”, lê-se em trecho de nota.
Deputadas estaduais reforçam palanque
Antes de Maurício e Junio, outras lideranças do PL mineiro se aproximaram de Cleitinho. As deputadas estaduais Amanda Teixeira Dias e Chiara Biondini, que também receberam autorização de Flávio, fizeram publicações pedindo votos ao senador. Pai de Chiara, o deputado federal Eros Biondini teve liberação semelhante, mas ainda não se manifestou publicamente sobre o tema.
Candidato do PL ao Senado, o deputado federal Domingos Sávio também acenou a Cleitinho. O gesto, contudo, é restrito às cidades do Centro-Oeste. Ambos são de Divinópolis e acertaram o plano de caminhar lado a lado na região. A exceção territorial, segundo a equipe de Sávio, foi previamente alinhada junto a Roscoe.