O presidente nacional do PSB, João Campos, sinalizou a lideranças do partido em Minas Gerais a possibilidade de o partido apoiar uma eventual candidatura do deputado federal Patrus Ananias (PT) ao governo do estado.
Patrus é o plano A do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a corrida ao Palácio Tiradentes, mas ainda não bateu o martelo sobre a questão. Como O Fator mostrou, ele aguarda uma conversa com o chefe do Executivo federal antes de tomar uma decisão.
O PSB, por outro lado, tem o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior como pré-candidato. Jarbas tem feito viagens pelo estado e conversado sobre a possibilidade de alianças com outros partidos — a petista Marília Campos, por exemplo, chegou a defender que o partido se aliasse a ele ou a Gabriel Azevedo, pré-candidato do MDB.
Um possível acordo entre pessebistas e petistas em Minas seria parte de um arranjo nacional. Dirigentes dos dois partidos ouvidos pela reportagem afirmaram que pesam a favor da aliança, por exemplo, o apoio formal do PT à candidatura de João Campos para o governo de Pernambuco e a manutenção do vice-presidente Geraldo Alckmin na chapa de Lula.
Em um cenário de união ao PT, o PSB indicaria o vice de Patrus. No entanto, O Fator apurou que Jarbas ainda busca se viabilizar junto ao partido para permanecer na disputa ao governo.
Nomes em pauta
Integrantes do PSB avaliam dois nomes para o caso de o partido se aliar ao PT e indicar o candidato a vice. O preferido de Geraldo Alckmin é o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes. Filiado à sigla desde abril, o empresário é filho de José Alencar, vice-presidente da República nos dois primeiros governos de Lula, entre 2003 e 2010.
O ex-senador e ex-vice-governador Clésio Andrade também está no páreo. Nas últimas reuniões da direção estadual do partido, Clésio passou a defender a importância da construção de uma frente ampla em torno da reeleição de Lula.
O receio entre os caciques do PSB é que, caso o acordo com o PT seja concretizado, a legenda tenha reduzidas as chances de eleger deputados federais em Minas.
Conforme mostrou O Fator, a chamada chapa municipalista, nome dado ao grupo de ex-prefeitos que pretende concorrer ao Congresso Nacional pelo PSB, é contra a adesão do partido à uma candidatura petista.
Filme repetido
O cenário das negociações entre PT e PSB em Minas remete às eleições de 2018. À época, os pessebistas chegaram a lançar a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, para o governo.
Uma intervenção da direção nacional, no entanto, levou a legenda a ingressar na chapa liderada pelo então governador Fernando Pimentel (PT).
Naquele ano, Romeu Zema (Novo) foi eleito no segundo turno, disputado contra o também ex-governador Antonio Anastasia, que concorreu pelo PSDB.