Interlocutores do Palácio do Planalto dizem que ainda não há data estabelecida para a conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal Patrus Ananias sobre os rumos do PT na disputa pelo governo de Minas Gerais.
O parlamentar se tornou o plano A do partido para encabeçar uma chapa própria no estado. Assim como aconteceu com outros nomes cotados para a disputa, o partido aguarda a palavra final de Lula.
Integrantes do governo federal chegaram a aventar a possibilidade de Patrus se reunir com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, antes da agenda com Lula. Aliados do parlamentar ouvidos por O Fator, no entanto, sustentam que o assunto, agora, só será tratado diretamente com o presidente da República.
O entendimento é de que o diálogo com Edinho já aconteceu. Na semana passada, o dirigente partidário telefonou para Patrus. A conversa também contou com a participação do ex-ministro Gilberto Carvalho.
Como mostrou O Fator, os caciques petistas chegaram a mencionar uma pesquisa encomendada pela sigla que mostra o deputado federal com bom desempenho na corrida ao Palácio Tiradentes.
A tendência é que a agenda entre Lula e Patrus aconteça no Palácio da Alvorada, em Brasília (DF), que é a residência oficial da Presidência da República e onde o chefe do governo federal trata desse tipo de assunto com mais discrição.
Foi no local, por exemplo, que o presidente teve conversas sobre a eleição mineira com o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) quando o parlamentar era sua opção prioritária para pleitear o governo.
Nas entrelinhas
Pessoas a par do assunto pontuam que a linha direta com Lula é importante para saber o nível de comprometimento que o PT terá com uma eventual candidatura de Patrus. A intenção é saber, por exemplo, a viabilidade das alianças a serem formadas.
Interlocutores envolvidos na questão acreditam que há, sim, chances de o ex-ministro do Desenvolvimento Social aceitar concorrer à sucessão estadual.
Patrus disputou uma eleição majoritária pela última vez em 2012, quando tentou retornar à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Desde então, vem se concentrando nas corridas à Câmara dos Deputados.
O nome dele entrou no radar do PT após Marília Campos, ex-prefeita de Contagem, não declinar da pré-candidatura ao Senado Federal em prol da disputa ao governo. Além disso, ele é visto como uma pessoa de confiança de Lula.
Prefeito de Belo Horizonte entre 1993 e 1996, Patrus foi o deputado federal de melhor desempenho do PT mineiro nas eleições de 2002, com pouco mais de 520 mil votos. Em 2010, concorreu a vice-governador na chapa encabeçada pelo também ex-ministro Hélio Costa (MDB).