Diretório do Missão em Minas é presidido por pai de ‘Mamãe Falei’ e tem aliados de deputados paulistas no 1° escalão

Composição da executiva estadual reúne, majoritariamente, assessores e aliados de lideranças paulistas do movimento
Executiva estadual reúne assessores e aliados de parlamentares do MBL sediados em São Paulo. Foto: Carol Jacob / Agência Alesp

O diretório mineiro do Missão, o caçula entre os partidos políticos brasileiros, é presidido pelo pai do ex-deputado estadual paulista Arthur do Val, o Mamãe Falei. Uma consulta feita por O Fator aos dados da legenda junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostrou que o cargo é ocupado por Manoel Costa do Val Filho.

Os outros cargos da Executiva estadual da sigla têm forte presença de nomes ligados ao núcleo do Movimento Brasil Livre (MBL) em São Paulo. O secretário-geral, por exemplo, é Lucas de Lemos Mehero, assessor do deputado estadual Guto Zacarias (SP).

A vice-presidência foi dividida entre Catalina Soifer, ex-assessora de Zacarias, e Edson Antônio Alves, que, segundo pesquisa da reportagem, não tem vínculo aparente com lideranças do MBL.

Também compõem a Executiva Vinicius Pereira Sampaio, primeiro tesoureiro, que já atuou como secretário parlamentar do deputado federal Kim Kataguiri, e Jéssica Maria de Oliveira Monteiro, segunda tesoureira, que também teve passagem pelo gabinete de Kataguiri.

A partir da nominata encaminhada pelo Missão de Minas à Justiça Eleitoral, foi possível constatar que apenas um integrante da Executiva possui atuação prévia em Minas Gerais: trata-se de Liusley de Assis Wiermann, que tem um número do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) associado a São João del Rei, no Campo das Vertentes.

A reportagem também tentou identificar a origem política de Edson Antônio Alves, mas não foram localizados vínculos públicos que indiquem atuação política ou base eleitoral no território mineiro.

O outro lado

O aval da Justiça Eleitoral ao registro do Missão veio em novembro do ano passado. O mandato da Executiva estadual da sigla, iniciado naquele mês, tem previsão de durar até novembro de 2027.

Interlocutores do partido ouvidos por O Fator afirmaram que a composição feita à época foi formada por pessoas de confiança e alinhadas à base programática da legenda.

“Neste primeiro momento, só estarão à frente da legenda pessoas alinhadas ao nosso programa partidário, que dominem o Livro Amarelo, para não corrermos o risco de trazer para a articulação do partido os mesmos políticos de sempre, fisiológicos e afeitos a negociatas”, disse um interlocutor na direção nacional do partido.

O Livro Amarelo é o manifesto político que reúne as diretrizes do Partido Missão.

Ainda segundo esses interlocutores, Jéssica Maria de Oliveira Monteiro, — ex-assessora de Kim — é mineira e se destacou pela militância, o que levou ao convite para trabalhar no gabinete do deputado estadual paulista.

O Fator procurou o presidente nacional do Partido Missão, Renan Santos, e a assessoria de imprensa do partido em Minas, a fim de obter posicionamento oficial sobre o tema. Não houve retorno, mas o espaço segue aberto.

No início deste ano, o Missão lançou a pré-candidatura do influenciador Ben Mendes ao governo mineiro. Ben tem atuação no estado e ficou famoso por vídeos em que fala sobre Direito do Consumidor. A equipe do pré-candidato também foi acionada, mas ainda não se posicionou sobre a composição do diretório.

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