O vereador belo-horizontino Helton Júnior, do PSD, vai deixar o posto de vice-líder do prefeito Álvaro Damião (União Brasil) na Câmara Municipal. A decisão foi tomada por causa do projeto que estabelece tarifa zero no sistema de ônibus da cidade. Helton é favorável à medida, enquanto o Executivo municipal alega inviabilidade econômica para tirar a ideia do papel.
A votação em 1° turno da tarifa zero está marcada para esta sexta-feira (3). Helton é um dos signatários do texto. Quando a proposta foi protocolada, em fevereiro, 22 parlamentares assinaram o projeto. Alguns deles, contudo, consideram mudar de posição.
Helton afirmou ver lacunas no projeto da tarifa zero, mas apontou dificuldade do Executivo municipal em construir soluções alternativas.
“Não consigo votar contra o projeto não pela integralidade do texto, mas porque entendo que a cidade precisa de uma resposta diante da grande mobilização que tivemos. Nesse ponto de inflexão, coloquei o cargo à disposição. O secretário de Governo (Guilherme Daltro) e o prefeito entenderam que era a melhor alternativa que eu não permanecesse, e a gente saiu”, disse.
O parlamentar relatou ter levado, à equipe de Damião, uma proposta para a implementação de passe livre a estudantes universitários de baixa renda.
“Não teve briga e não teve polêmica. Só teve, realmente, a ausência de condições de produzir uma alternativa que fosse possível. Como é minha bandeira — já defendia a tarifa zero antes mesmo de ter mandato — não conseguiria simplesmente votar o projeto com um cheque pré-datado, algo que poderia ser feito no futuro, mas que não teríamos exata clareza do que seria”, completou.
O pessedista assumiu a vice-liderança de Damião em abril, poucos dias antes da posse do prefeito. À época, o parlamentar disse enxergar a indicação como um gesto a seu partido, o mesmo do ex-prefeito Fuad Noman, que morreu em março.
Como O Fator vem acompanhando, a prefeitura estuda apresentar uma proposta alternativa às isenções universais. A ideia em pauta gira em torno da ampliação do rol de cidadãos aptos a utilizar os coletivos sem pagar passagens, tomando por base os dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), mantido pelo governo federal.
