O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha mudou o título eleitoral para Belo Horizonte e, desde terça-feira (9), passou a ter domicílio eleitoral na cidade, onde vai votar em um colégio da Savassi, na região Centro-Sul da capital mineira.
A mudança ocorre em meio à pré-campanha do político no estado, que buscará votos do eleitorado mineiro para tentar retornar à Câmara nas eleições do ano que vem. Atualmente filiado ao Republicanos, Cunha disse a O Fator não permanecerá na sigla.
Ele ainda não definiu, porém, por qual partido disputará a preferência dos eleitores de Minas nas urnas. A legislação eleitoral exige que a filiação partidária seja formalizada até seis meses antes da votação. O prazo termina em 4 de abril.
Como mostrou O Fator, até o fim de dezembro, Cunha mantinha domicílio eleitoral em São Paulo, estado pelo qual tentou voltar ao Legislativo federal em 2022. Na ocasião, candidato pelo PTB, ele recebeu 5.044 votos e não se elegeu.
Apesar de agora estar formalmente vinculado a Belo Horizonte e ter tido essa passagem pelo estado paulista, o ex-parlamentar construiu a trajetória política no Rio de Janeiro. Por lá, ele exerceu mandato de deputado federal entre 2003 e 2016, período que se encerrou com a cassação do mandato, em setembro daquele ano.
Em Minas, Cunha tem residido em um prédio na Savassi e já vinha intensificando a pré-campanha pelo interior do estado. Nesta semana, ele também começou as movimentações nas redes sociais.
Nos últimos meses, passou a investir na abertura de emissoras de rádio para consolidar bases eleitorais, além de visitas a igrejas evangélicas e patrocínio a clubes de futebol, como o Uberaba Sport Club.
Clima no Republicanos
Um dos desafetos de Cunha no Republicanos é o senador mineiro Cleitinho Azevedo. Em agosto, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha apresentou uma queixa-crime contra o parlamentar em razão de “ofensas proferidas durante evento público realizado em Belo Horizonte”. A ação foi distribuída para relatoria do ministro André Mendonça.
Em um discurso durante protesto na capital mineira, o senador disse: “Em Minas Gerais tem um canalha, um vagabundo, que chama Eduardo Cunha, que está vindo para cá agora querendo fazer campanha para deputado federal”. O vídeo com a fala foi posteriormente publicado nas redes sociais do político.
Na petição, os advogados de Cunha sustentam que Cleitinho incorreu no crime de injúria e pedem a aplicação da causa de aumento de pena em razão da divulgação das ofensas pela internet. A defesa argumenta que as declarações ocorreram fora do contexto do exercício da atividade parlamentar e, por isso, não estão protegidas pela imunidade.