Em ano eleitoral, apresentação de projetos cresce 25% na ALMG

Trata-se do comparativo entre o primeiro semestre deste ano e o mesmo período de 2025. Em relação a 2024, crescimento é de 33%.
Fachada da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG)
Dados abertos da ALMG mostram alta no número de projetos apresentados neste ano. Foto: Ramon Bittencourt/ALMG.

Em busca da reeleição ou de uma vaga em Brasília, os deputados estaduais apresentaram 25% mais projetos de lei no primeiro semestre deste ano do que no mesmo período de 2025, mostra levantamento de O Fator a partir dos dados abertos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Em relação a 2024, esse crescimento é ainda maior: alta de 33%.

Os 870 projetos de lei apresentados no primeiro semestre deste ano só são superados pelo ano de 2023 nesta legislatura, quando os deputados protocolaram 903 propostas do tipo. Historicamente, porém, é comum que o ano inicial dos mandatos concentre um alto número de matérias, justamente pela renovação da Casa e a chegada de novatos.

Sobre o conteúdo dos projetos, o ano eleitoral evidencia uma estratégia já conhecida nos bastidores da Assembleia: a apresentação de textos para declarar “utilidade pública” de associações; e para reconhecer o “relevante interesse cultural” de eventos, manifestações e comunidades.

Para se ter uma ideia, foram apresentados, só nestes primeiros seis meses do ano, 88 projetos diferentes para dar reconhecimento a manifestações culturais no estado. Já as declarações de utilidade pública de associações aparecem em 189 textos diferentes.

Considera-se, para esse levantamento, as ementas das matérias tramitadas.

No total, esses dois tipos de projetos configuram cerca de 32% do total de propostas apresentadas a partir deste ano.

Interlocutores com os quais a reportagem conversou afirmam que esse tipo de projeto se multiplica como estratégia para cativar as bases eleitorais dos deputados. Um simples gesto de reconhecimento de uma manifestação cultural é visto com bons olhos por apoiadores, sobretudo em ano eleitoral.

Políticas públicas

O expediente da Assembleia neste primeiro semestre também ficou marcado pela apresentação de projetos de interesse público. A palavra “autista” e suas variações, por exemplo, aparecem em 19 textos diferentes entre janeiro e junho deste ano.

O mesmo vale para políticas públicas para mulheres. São 57 textos diferentes com citação a elas. A maior parte deles tem como objetivo o enfrentamento à violência ou a atenção dada à mulher vítima desse tipo de crime.

Propostas para servidores públicos também ocuparam a pauta da Assembleia no primeiro semestre. São 43 propostas diferentes citando o funcionalismo, parte delas dedicada à criação de adicionais, de isenções e de auxílios.

Outros assuntos de interesse público também aparecem entre as 100 palavras mais comuns nas ementas dos projetos apresentados neste ano eleitoral. “Educação” aparece 15 vezes, “saúde” em outras 24 e “segurança” em 25 oportunidades.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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