Por muitas vezes ao longo dos últimos anos, interlocutores da política mineira diziam que faltava ao governo Zema uma pessoa com o estilo de Danilo de Castro, o “Danilão”, ex-secretário estadual de Governo, conhecido por manter um punho de ferro na relação com parlamentares durante os governos tucanos, comandados por Aécio Neves e Antônio Anastasia.
Em entrevista a O Fator, no entanto, o próprio Danilo reconhece que a lógica do jogo mudou com entrada das emendas impositivas a partir do orçamento de 2019.
“Em 12 anos, nós não perdemos uma votação no Legislativo. Fizemos três presidentes da Assembleia Legislativa. Isso era um governo forte, que hoje não é”, compara.
O ex-secretário celebra as múltiplas vitórias que obteve na relação entre governo e Assembleia, mas admite que o maior controle das emendas parlamentares facilitava a vida dos governadores nas gestões tucanas. Naquela época, os empenhos ajudavam a fisgar apoio até entre parlamentares de oposição.
“Nós seguramos as emendas impositivas quando tentaram aprovar. Quando o cara não queria votar com a gente, segurávamos a emenda dele”, relembra. “Às vezes, até o cara do PT nós ajudávamos de uma forma ou de outra”.
A realidade orçamentária de hoje é outra. Em expansão desde 2019, bateu recorde neste ano o valor total reservado a emendas impositivas: 2% da Receita Corrente Líquida (RCL) do exercício orçamentário anterior. Isso fez com que parlamentares tivessem direito ao pagamento obrigatório de cerca de R$ 2 bilhões em emendas individuais, ou quase R$ 27 milhões para cada um dos 77 deputados estaduais.
Danilo avalia que o próprio Zema teve um “acerto” para melhorar sua articulação política, depois de sucessivas derrotas na Assembleia Legislativa, quando trouxe Marcelo Aro (PP) para chefiar a Secretaria de Governo. “Foi a única jogada que ele fez assim com acerto. Ele aperta os caras, é organizado”, avalia.
Danilo argumenta que, além da mudança estrutural nas emendas, Zema deixará o governo sem “marcas” e que faltam programas institucionais para transferir votos dele para o vice-governador Mateus Simões (PSD), seu candidato a sucessor. Ele avalia que isso dificulta não só o trabalho dos marqueteiros, mas também a articulação de palanques.
“Os deputados nos apoiavam porque toda semana tinha um programa novo, uma inauguração nova, então os municípios estavam sendo atendidos. Era entrega de veículo, campo de futebol. Os deputados e os prefeitos eram muito prestigiados”, explica.
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