Pesquisa CNT: Minas tem 383 pontos críticos em estradas

Técnicos da Confederação Nacional do Transporte percorreram 111.502 km de rodovias pavimentadas de todo o País
Estrada interditada em Minas Gerais durante o período chuvoso
Estudo do CNT mostra que Minas Gerais tem o maior número de pontos críticos em estradas (FOTO: PMRv/Divulgação)

A malha rodoviária mineira segue como a mais extensa e em pior estado de conservação do Brasil. São, ao todo, 15.605 quilômetros (km), com 383 pontos críticos, conforme o Radar CNT do Transporte – Pontos Críticos 2023. A título de comparação, nas estradas de São Paulo, que totalizam 10.754 km de extensão, foram identificados 39 problemas.

O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Sérgio Pedrosa, chama a atenção para o baixo volume de investimentos realizados nas estradas que cortam o Estado nas últimas décadas. E alerta para um colapso.

“Minas Gerais tem recebido pouquíssimos investimentos nas últimas décadas e as estradas estão se deteriorando com prejuízo para toda a sociedade. A situação de grande parte das estradas de Minas Gerais beira o colapso, com prejuízos materiais e não materiais. É também um gargalo para o crescimento econômico do nosso Estado. Os governos federal, estadual e municipal precisam colocar este tema como prioridade número 1 nas suas agendas”, diz.

O principal meio de escoamento de produtos no Brasil ainda é o rodoviário, devido os custos dos demais modais e também pela infraestrutura insuficiente, como nas ferrovias. Caminhoneiros cruzam o País dia e noite, percorrendo milhares de quilômetros não apenas para permitir o desenvolvimento, mas para fazer chegar mercadorias de diferentes setores a indústrias, comércios e também ao consumidor final. Mas Pedrosa lembra: “não é só o transporte de cargas e passageiros que precisa de boas estradas. As pessoas também precisam delas para fazerem suas atividades”, completa.

A pesquisa

Para a elaboração do Radar, técnicos da Confederação Nacional do Transporte (CNT) percorreram 111.502 quilômetros de rodovias pavimentadas de todo o País. Além de analisar a condição das principais características, como pavimento, sinalização e geometria da via, identificaram e avaliaram os pontos críticos de Norte a Sul do Brasil. Ao todo, foram registrados 2.648 pontos críticos na malha brasileira. O número representa crescimento de 1,5% em relação ao levantamento do ano anterior, quando foram identificados 2.610 pontos de alerta.

Segundo a CNT, são considerados pontos críticos, situações atípicas que ocorrem na rodovia, interferem no fluxo normal do tráfego e podem gerar graves riscos à segurança dos usuários. Também estão associados à elevação dos custos operacionais, devido ao aumento do tempo de viagem, do consumo de combustível e dos gastos com manutenção dos veículos, como resultado de sua maior depreciação.

Essas ocorrências são classificadas quanto ao tipo (queda de barreira, buraco grande, erosão na pista, ponte caída, ponte estreita e outros); a sinalização (adequada, deficiente e inexistente); e à existência de obras.

Detalhadamente, os principais problemas identificados pelo Radar CNT nas estradas mineiras estão concentrados (96,3%) em rodovias públicas. Apenas 3,7% deles estão em trechos concessionados. Quanto a jurisdição, 52,85% são estaduais e 47,15% federais. E 96,3% possuem alguma obra e 3,7% nenhuma.

Por fim, em termos de investimentos, a CNT estima que sejam necessários R$ 4,88 bilhões para a resolução dos problemas apontados na publicação. Mas, levando em consideração os aportes necessários para intervenção de melhorias emergenciais, como reconstrução, restauração e manutenção dos trechos da malha rodoviária federal que apresentam problemas, a estimativa da necessidade de recurso sobe para R$ 46,8 bilhões. Em Minas, conforme a Pesquisa de Rodovias 2023, a inversão necessária seria de R$ 16,63 bilhões.

Pitaco do Kertzman: Primeiro, seja muito bem-vinda ao O Fator, Mara! Sua experiência e competência irá engrandecer bastante este site. Sobre o estado das estradas mineiras, dizer o quê? Cobrar quem? Culpar quem? O governo federal, que assiste, há décadas, surdo, cego e mudo à carnificina nas estradas de sua responsabilidade que cortam Minas? Do governo estadual, e não deste, coitado, pois herdou cinzas das gestões anteriores? Reza o ditado popular que “filho feio não tem pai”. Eis um belo exemplo. Enquanto isso, morremos como moscas.

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