De 11 candidatos da ‘família Ganem’, só um se elege e líder do grupo fica sem mandato

Grupo também pode perder o mandato do vereador Lucas Ganem (MDB) em Belo Horizonte, que teve a cassação mantida pelo TRE-MG
O deputado federal Bruno Ganem (Podemos-SP) e a presidente nacional do partido, a deputada federal Renata Abreu.
O líder da "família Ganem", deputado federal Bruno Ganem, não se reelegeu. Ao lado dele, a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, negociou a vaga de Thiago Ganem na chapa do PL mineiro. Foto: Facebook/Divulgação

O grupo político conhecido como “família Ganem”, que foca na defesa da causa animal, elegeu um dos 11 candidatos que lançou com o sobrenome nas urnas em 2026. O deputado federal Bruno Ganem (Podemos-SP), líder do grupo, e a mãe dele, a deputada estadual Clarice Ganem (Podemos-SP), não renovaram os mandatos.

O único eleito foi o advogado Thiago Martins Milhim, registrado como Thiago Ganem (PL), que teve 42.718 votos para deputado federal por Minas Gerais e chegou à Câmara com a ajuda da votação de Nikolas Ferreira (PL).

Thiago, a propósito, não deve adotar o sobrenome Ganem no mandato na Câmara Federal, uma vez que sequer é ligado ao clã familiar, mas aceitou a sugestão do Podemos em herdar o nome para disputar a eleição.

O resultado nas urnas ocorre enquanto o grupo tenta manter o mandato de Lucas Ganem (MDB), eleito vereador em Belo Horizonte em 2024 e cassado pela Justiça Eleitoral por fraude na transferência do domicílio eleitoral. Ele recorre ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além de Minas e São Paulo, os candidatos da família disputaram vagas no Rio de Janeiro, em Santa Catarina e na Bahia. Concorreram por Podemos, PL, União Brasil, PDT e Avante. Dos candidatos, nove não foram eleitos, e Erico do Ganem (Avante), que disputava uma vaga de deputado estadual no Rio, renunciou à candidatura.

Desempenho por estado

Em São Paulo, Bruno Ganem recebeu 64.221 votos para deputado federal e ficou como suplente. Clarice Ganem e Amanda Ganem (Podemos), mãe e mulher de Bruno, respectivamente, também ficaram como suplentes, na disputa pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

No Rio de Janeiro, Flávio Ganem (União Brasil) teve 28.808 votos para deputado federal e Duda Ganem (União Brasil), de 20 anos, somou 17.767 para deputada estadual. Em Santa Catarina, Ricardo Ganem (Podemos) teve 4.690 votos para deputado federal e Vinicius Ganem (Podemos), 3.424 para estadual.

No Rio, Flávio Ganem (União Brasil) teve 28.808 votos para deputado federal, e Duda Ganem (União Brasil), de 20 anos, recebeu 17.767 votos para deputada estadual. Na Bahia, onde o grupo concorreu pelo PDT, Jair Ganem teve 2.492 votos para deputado estadual e Willian Ganem, 1.216 para federal.

Em Minas, Thiago Ganem foi eleito por causa do quociente eleitoral do PL. Nikolas Ferreira teve mais de 3 milhões de votos e ajudou a eleger outros 20 candidatos mineiros do partido na Câmara dos Deputados.

Sobrenome nas urnas

Dos 11 candidatos, só quatro têm Ganem no nome de registro. Os outros sete usam o sobrenome apenas como nome de urna. Dez nasceram no estado de São Paulo, onde a família tem base eleitoral em Indaiatuba, no interior.

Quatro candidatos já ocuparam cargos comissionados na Alesp, segundo o portal da Casa Legislativa. Flávio Fernando Prado (Flávio Ganem) e Amanda Beatriz Foltran (Amanda Ganem) trabalharam no gabinete de Bruno quando ele era deputado estadual. Ricardo Costa Franco de Camargo (Ricardo Ganem) e Thiago Milhim foram lotados na liderança do Podemos.

Thiago deixou a Alesp em janeiro de 2025. Ele também foi secretário de Esportes da Prefeitura de São Paulo e secretário nacional no Ministério do Esporte no governo Lula. A vaga dele na chapa do PL mineiro saiu de um acordo entre o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e a presidente nacional do Podemos, deputada federal Renata Abreu (SP).

Lucas Ganem e a cassação

Em 2024, o grupo elegeu quatro vereadores, em São Paulo, Sorocaba, Campinas e Belo Horizonte, com campanhas padronizadas e os mesmos fornecedores. Em BH, Lucas Ganem teve mais de 10 mil votos, embora tenha nascido e crescido em São Paulo.

Em setembro, a Justiça Eleitoral condenou Lucas por informar um endereço onde nunca morou ao transferir o título de eleitor para Belo Horizonte, em fevereiro de 2024. A fraude foi revelada pelo O Fator. O endereço era uma casa no bairro Trevo, na Pampulha. Em audiência, Lucas admitiu que nunca morou no imóvel e disse que se tratava de um “ponto de apoio”.

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) manteve a perda do mandato, e ele recorre ao TSE. Na Câmara Municipal, Lucas também responde a um processo de cassação, que tenta barrar na Justiça.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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