Filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão teria sido registrada a partir de dispositivo em Minas

TSE informou que caso não envolveu ataque hacker, mas uso indevido de credenciais do próprio partido para realizar a filiação
Em foco, à bancada do Senado, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
Registro que impediu o senador Flávio Bolsonaro de formalizar a candidatura pelo PL ao Planalto foi feito com dados divergentes e a partir de um dispositivo localizado em Minas Gerais. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O registro de filiação do candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), ao partido Missão foi feito a partir de um dispositivo eletrônico localizado no bairro Santo André, na região Noroeste de Belo Horizonte.

A filiação do senador à nova legenda foi o que impediu Flávio Bolsonaro de fazer o registro de candidatura junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O PL informou, nesta quarta-feira (13), que protocolou um pedido de desfiliação do Missão.

Fontes ouvidas pela reportagem ressaltam que é possível alterar as configurações de IP de um servidor, o que pode fazer com que a localização associada ao acesso não corresponda necessariamente ao local físico de onde o dispositivo foi operado.

Relatório produzido pelo partido Missão aponta que o cadastro usou um endereço inexistente do senador no Rio de Janeiro (Rua “dos Bandidos”, no bairro “Miliciano”) e apresentou divergência entre o CPF informado e o número associado ao título eleitoral.

A sigla explicou que tentou excluir o registro, mas o sistema recusou a operação por erro de permissão. O partido listou ainda que foram feitas duas tentativas de pagamento de R$ 4.789,68, referentes à contribuição financeira prevista na filiação, mas ambas foram recusadas.

O Missão também disse, por meio de nota, que tentou comunicar ao gabinete de Flávio Bolsonaro desde 2 de agosto, mas sem sucesso. Nesta quinta, o senador disse que “tentaram fraudar a filiação dele” e que o “sistema” não vai conseguir pará-lo.

O TSE, por sua vez, informou que a filiação não resultou de um ataque hacker ao sistema eleitoral, mas sim do uso indevido da ferramenta por alguém que tinha credenciais do próprio partido Missão para realizar filiações.

O presidente do tribunal, ministro Nunes Marques, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) e determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária para apurar os responsáveis e as circunstâncias da operação.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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