Gasmig vai criar projeto para levar gás natural e biometano a mineradoras

Estatal quer ouvir empresas sobre demanda futura; combustíveis são alternativas para diminuir pegada de carbono do setor
A Cemig detém 99,57% das ações da Gasmig. A PBH é dona de 0,43% Foto: Divlugação

A Gasmig vai lançar, nos próximos dias, um projeto para ampliar a interlocução com o setor minerário sobre o uso de gás natural e biometano em operações de mineração e em processos industriais associados ao setor.

Um evento sobre o tema está marcado para o próximo dia 1º, em Belo Horizonte. Participarão o CEO da Gasmig, Gustavo De Marchi, além de representantes das principais mineradoras e siderúrgicas do estado. A secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, e o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Pietro Mendes, também devem participar.

Batizado de O Gás que Move Nossas Minas, o projeto pretende colocar as mineradoras em contato com a estatal para discutir questões como competitividade dos custos energéticos, segurança e diversificação do suprimento, substituição de combustíveis, eficiência energética e descarbonização de processos.

Segundo a Gasmig, a proposta é criar um ambiente de relacionamento capaz de transformar as discussões em oportunidades concretas de projetos, investimentos e novas soluções energéticas. Apesar de ser um combustível fóssil, o gás natural emite menos gases do efeito estufa, quando queimado, em comparação ao carvão mineral e derivados do petróleo. Já o biometano é um gás considerado limpo.

Na mineração, o gás natural é utilizado principalmente como fonte de calor em processos como a pelotização do minério de ferro e a secagem de minérios. O biometano, por sua vez, pode substituir o diesel em veículos pesados adaptados para operar com gás, inclusive caminhões utilizados no transporte de minério.

De acordo com De Marchi, a maior parte da rede de gasodutos de Minas Gerais ainda possui capacidade disponível e poderia atender a um eventual aumento da demanda por gás natural e biometano.

Produzido a partir da decomposição de matéria orgânica, o biometano é composto predominantemente por metano e, quando atende às especificações de qualidade, pode ser injetado e transportado pela mesma infraestrutura utilizada pelo gás natural.

“Queremos saber qual é a escala prevista do setor e passar a nossa visão para eles. Também queremos ajudar na gestão do portfólio da compra de gás”, diz Marchi.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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