Governo Zema propõe conciliação no TCE para destravar concessão de rodovias do Vetor Norte

Edital para o repasse de trechos viários à iniciativa privada está suspenso desde o final de abril
O pleno do TCE
Tribunal Pleno ratificou liminar sobre concessão de estradas do Vetor Norte. Foto: Daniele Fernandes/TCEMG

O governo de Minas Gerais formalizou, nessa terça-feira (17), um pedido ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para instalar uma mesa de conciliação sobre a concessão de rodovias estaduais que cortam o Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O movimento busca um acordo com os deputados estaduais que questionam o projeto e, ao mesmo tempo, pressiona a Corte a assumir papel ativo na resolução das controvérsias que travam a iniciativa.

A ideia do governo de buscar a mesa de conciliação no TCE-MG surgiu porque a Corte decidiu, no final de abril, determinar a paralisação do edital. O posicionamento foi definido após questionamentos de deputados estaduais de oposição ao governador Romeu Zema (Novo) sobre pontos da concorrência, como a instalação de pedágios e seus efeitos sobre os usuários que trafegam constantemente pelas vias.

No início de junho, o Palácio Tiradentes tentou a instalação de uma mesa de conciliação parecida na Justiça. O TCE-MG, entretanto, rechaçou a proposta.

A petição enviada à Corte de Contas sugerindo que o tema seja debatido em uma mesa de diálogo é assinada pelo Secretário de Infraestrutura, Pedro Bruno, e pelo Advogado-Geral do Estado, Sérgio Pessoa. A alegação é que a conciliação evitaria insegurança jurídica e avanço da judicialização. 

O Executivo destaca o interesse em uma solução consensual, afirmando: “as melhorias a serem alcançadas nas rodovias do vetor norte (…) somente se implementarão com a publicação de edital”.

Segundo o pedido, a representação em análise no TCE-MG argumenta que a concessão trará pedágios que podem onerar trabalhadores de baixa renda, principalmente em Vespasiano, além de afetar o tráfego e os serviços de saúde em municípios como Belo Horizonte, Lagoa Santa, Capim Branco, Matozinhos, Pedro Leopoldo, Confins, São José da Lapa, Jaboticatubas, Prudente de Morais, Sete Lagoas e Santana do Riacho.

Os deputados de oposição contestam ainda a participação popular no processo, a distribuição da arrecadação tarifária (com 53% prevista para apenas dois pórticos em dez quilômetros), a atualidade dos estudos de viabilidade e critérios do edital.

O litígio já motivou ação judicial do Estado contra o próprio TCE, após o indeferimento de uma liminar para seguir com o edital. O recurso aguarda julgamento no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O governo alerta para o risco de paralisia caso não haja consenso, o que poderia afastar investimentos e impedir a execução das obras.

A decisão sobre a instauração da mesa de conciliação e eventual suspensão da análise do processo pelo TCE-MG ainda não tem data para ser apreciada.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

A quarta-feira cheia da ALMG nesta semana

O mal-estar no PT por causa de vídeo de Marília Campos com Gabriel Azevedo

Justiça rejeita ação de suplente contra vereadora de BH por uso de ‘Carreta da Saúde’ em campanha

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse