Marina: “estamos decepcionados” com metas climáticas de outros países

Em coletiva de imprensa sobre ‘esquenta’ da COP30 em Brasília, ministra criticou falta de entrega das NDCs
Marina Silva em coletiva de imprensa sobre a Pré-COP 30
Marina Silva: decepção com as NDCs. Foto: Cedê Silva/O Fator

Marina Silva disse nesta sexta (10) que o governo brasileiro está “decepcionado” com o fato de alguns países importantes não terem apresentado ainda atualizações de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) – planos de ação para reduzir as emissões de gases do efeito estufa e mitigar as mudanças climáticas.

“Todos os esforços são feitos para que elas venham”, disse a ministra, em coletiva de imprensa organizada sobre a Pre-COP30, um “esquenta” da Cúpula do Clima que será realizado em Brasília na semana que vem.

“Por isso que nós não escondemos, nenhum de nós aqui, que estamos decepcionados por não ter ainda as NDCs, é o nosso compromisso com a agenda. E por isso que fizemos o dever de casa antes”, acrescentou Marina. O Brasil apresentou uma NDC atualizada em novembro de 2024, durante a COP29, no Azerbaijão.

“Agora, nós esperamos que apresentem suas NDCs, de preferência antes da COP30, para que esse balanço do alinhamento das NDCs com a missão 1.5 [ou seja, limitar o aquecimento global a 1,5°C em relação à média pré-industrial] possa ser transparentemente avaliado pela sociedade planetária e por cada um de nós”.

A ministra reiterou que as NDCS, como o próprio nome diz, são decisões soberanas de cada país, cabendo à “diplomacia climática” encorajar os países a apresentá-las.

O embaixador Mauricio Carvalho Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, disse que “infelizmente, a apresentação de NDCs não foi – não tem sido – tão satisfatória como se desejaria”. Poucos países cumpriram a meta de apresentar novas NDCs até 10 de fevereiro deste ano – entre eles, os Estados Unidos, que entregaram uma nova NDC no fim do governo Biden. A China anunciou uma nova NDC apenas no mês passado. Entre os atrasados de peso, Lyrio citou a Índia e a União Europeia.

As novas NDCs serão “traduzidas” em um novo relatório do UNFCCC (o tratado da ONU responsável pelas COPs) em uma temperatura, ou seja, calculando a qual aquecimento o planeta vai chegar com as atuais metas de emissões. “Essa temperatura provavelmente não vai ser das mais tranquilizadoras, para dizer o mínimo”, disse Lyrio.

Na contabilidade do governo, 162 países já estão credenciados para a COP30 em Belém, e mais de 50 delegações vão participar da Pré-COP em Brasília.

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