MG concentra 1.778 processos minerários paralisados na ANM

Processos na Agência Nacional de Mineração (ANM) se arrastam por até sete anos; auditoria identifica falhas na fiscalização
Minas lidera este cenário nacional, que totaliza de 3.658 processos paralisados, com tempo médio de espera de quatro anos e cinco meses. Foto: Ricardo Botelho/MME

Minas Gerais concentra 1.778 processos minerários paralisados na Agência Nacional de Mineração (ANM), autarquia federal vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME). O dado consta em relatório de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), publicado na última quinta-feira (18).

Segundo o levantamento, os 1.778 processos em Minas se referem a requerimentos de lavra, etapa que antecede a autorização definitiva para exploração econômica de jazidas minerais. Deste total, 1.080 aguardam licença há até três anos, 528 estão represados entre três e sete anos e 170 tramitam há mais de sete anos.

Minas lidera este cenário nacional, que totaliza de 3.658 processos paralisados, com tempo médio de espera de quatro anos e cinco meses.

Além dos requerimentos de lavra, Minas Gerais também soma outros 115 pedidos de licenciamento mineral pendentes — regime simplificado de exploração, comum na extração de areia, brita e outros insumos da construção civil.

Nesse grupo, 48 processos estão parados há mais de sete anos, segundo a CGU.

Falta de monitoramento

A auditoria aponta que a ANM não dispõe de instrumentos gerenciais estruturados para acompanhar, de forma sistemática, a tramitação dos pedidos de licença ambiental. Com isso, a agência não consegue identificar se a demora decorre da atuação do empreendedor ou dos órgãos ambientais responsáveis pelo licenciamento.

Enquanto os processos permanecem abertos, os requerentes mantêm o direito sobre as áreas minerárias, mesmo sem a licença ambiental exigida para a outorga ou regularização da atividade. O relatório destaca que essa situação contraria princípios da administração pública, como eficiência e razoável duração do processo.

Outro ponto destacado pela CGU é a dificuldade da ANM em acompanhar a validade das licenças ambientais. A auditoria constatou que 26% dos processos de outorga analisados estavam com licenças vencidas. Nos processos de fiscalização, o índice chegou a 56%.

Embora não haja recorte estadual específico nesse item, a CGU ressalta que estados com grande volume de títulos minerários ativos, como Minas Gerais, ficam mais expostos a esse tipo de falha. O relatório cita, inclusive, caso em que a licença ambiental estava vencida desde 2011, sem registro de irregularidade em vistoria realizada anos depois.

Falhas na análise e transparência limitada

A CGU também identificou falhas na análise das licenças ambientais apresentadas à ANM. Em uma amostra de 167 outorgas, entre 31% e 46% dos processos apresentavam inconsistências ou ausência de informações essenciais, como volume de extração autorizado e compatibilidade com o Plano de Aproveitamento Econômico (PAE).

No campo da transparência, o relatório aponta que licenças ambientais emitidas por municípios têm baixa divulgação pública — apenas 7,7% foram localizadas em sites oficiais. O dado é relevante para Minas Gerais, onde há delegação de competência ambiental para municípios e o próprio estado informou estar em fase de implementação de um sistema para divulgação dessas licenças.

Diante dos achados, a CGU recomendou à ANM medidas como:

  • revisão de normas internas;
  • criação de sistemas de controle gerencial das licenças;
  • padronização das análises técnicas;
  • fortalecimento da fiscalização ambiental complementar;
  • ampliação da transparência das informações.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

Leia também:

Érica Drumond, a hoteleira

Ex-funcionária de produtora de calcário fez relatório que embasa projeto sobre parque ambiental em Pains

Na mira de Cleitinho, IPVA representou um quarto do empenho de BH com pessoal em 2025

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse