Número de auditores fiscais do trabalho com atuação em Minas é o menor em 30 anos

Levantamento aponta que, de 2013 para cá, estado perdeu 83 funcionários responsáveis por vistorias; ameaças ampliam evasão
Foto mostra auditora fiscal do trabalho em atividade de campo
Queda no número de auditores fiscais em Minas preocupa entidade de classe. Foto: Ministério do Trabalho/Divulgação

O quadro de auditores fiscais do trabalho de Minas Gerais perdeu 83 funcionários entre 2013 e este ano. A estatística compõe levantamento do Sindicato Nacional de Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) a respeito da atuação da categoria no estado. Segundo a entidade, 225 auditores fiscais atuam em Minas Gerais — é o menor número dos últimos 30 anos.

O Sinait vai levar o levantamento à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta quarta-feira (3). Isso porque a Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social fará uma audiência pública para debater a situação dos auditores fiscais que dão expediente em Minas.

Em todo o Brasil, há 1,9 mil servidores públicos registrados como auditores fiscais trabalhistas. Em Minas, o número de profissionais da área é considerado insuficiente para cobrir as eventuais fiscalizações ocorridas nos 853 municípios do estado. 

Para o deputado Betão (PT), que preside a Comissão do Trabalho da Assembleia, o número de ameaças cometidas contra representantes da categoria — que está sob o guarda-chuva do Ministério do Trabalho — é um dos fatores a diminuir o apelo da profissão.

“O avanço do trabalho análogo à escravidão e o número de ameaças que esses trabalhadores vem sofrendo aumenta a cada dia porque a falta de estrutura e recurso, infelizmente se torna um facilitador para esses tipos de crime”, diz.

Segundo Carlos Calazans, superintendente do Ministério do Trabalho em Minas Gerais, ameaças não vão impedir o trabalho da fiscalização no estado.

“Temos também o dever de defender os direitos dos trabalhadores em Minas Gerais e assim o faremos. Todas as ameaças e intimidações serão encaminhadas para a Polícia Federal para que sejam rigorosamente investigadas”, afirma.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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