A cassação do ex-prefeito de Governador Valadares, Coronel Sandro (PL), desencadeou uma movimentação de última hora dentro do PL mineiro baseada em um “plano B” do ex-prefeito, lido por interlocutores como uma espécie de plano de “vingança”. Pelo que O Fator apurou, a esposa de Sandro, a dona de casa Valéria Libório, participou de uma reunião do partido na segunda-feira (18) e passou a ser tratada internamente como possível candidata à Câmara dos Deputados.
A articulação surpreendeu integrantes do partido porque o nome de Valéria não aparece, até o momento, em nenhuma das listas oficiais de pré-candidatos da legenda. Ainda assim, aliados afirmam que ela já teria inclusive escolhido o número que pretende utilizar numa eventual disputa eleitoral.
Interlocutores ouvidos pela reportagem afirmam que a eventual candidatura de Valéria também serviria para manter a disputa política da família contra o grupo da família Coelho Diniz em Governador Valadares. A avaliação é de que o movimento busca enfrentar o avanço político do empresário Vinícius Diniz, pré-candidato a deputado federal e apontado como sucessor político do grupo.
Uma ala do PL, porém, passou a questionar a estratégia. Reservadamente, integrantes da legenda avaliam que, caso a articulação avance, o partido poderá acabar lançando dois candidatos competitivos ligados à mesma cidade: Vinícius Diniz e Valéria Libório. O temor é de divisão de votos em um dos principais colégios eleitorais do interior mineiro.
A rivalidade entre Sandro e os Coelho Diniz surgiu no ano passado e resultou na cassação do mandato do ex-prefeito. Em 2024, os grupos caminharam juntos na eleição, mas se distanciaram por divergências internas. Para aliados, o ex-prefeito já relatou que o impeachment só ocorreu por atuação do empresário Alex Coelho Diniz, principal nome empresarial na cidade, irmão do deputado federal Hercílio Diniz e tio de Vinicius Diniz. Alex é, também, suplente do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Cassado
Coronel Sandro teve o mandato cassado pela Câmara Municipal na quinta-feira (14), após uma sessão extraordinária que durou cerca de 12 horas. Foram 18 votos favoráveis à cassação e apenas 3 contrários.
Os vereadores analisaram três infrações político-administrativas relacionadas ao transporte escolar do município. Entre os pontos questionados estavam a contratação do serviço sem licitação tradicional, o início da operação antes da assinatura oficial do contrato, um reconhecimento de dívida superior a R$ 2,7 milhões e suspeitas de sobrepreço e aumento injustificado da quilometragem dos ônibus escolares.
Durante todo o processo, Coronel Sandro negou irregularidades e afirmou que a denúncia tinha motivação política.
Com a decisão da Câmara, o vice-prefeito José Bonifácio Mourão assumiu o comando da prefeitura.