O presidente nacional do PT, Edinho Silva, vai se reunir na próxima segunda-feira (25) com o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do partido em Minas Gerais. O encontro foi marcado em meio a divergências dentro da sigla sobre o futuro da pré-candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB) ao governo do estado.
No início da semana, Edinho afirmou publicamente que o parlamentar não disputará o Palácio Tiradentes. Horas depois, a presidente do PT mineiro, Leninha, declarou que a legenda ainda aguarda uma manifestação oficial do senador antes de considerar encerradas as negociações.
Nos bastidores, aliados de Pacheco e outros petistas pregaram cautela e pontuaram que só será possível cravar um desfecho para a questão após uma conversa entre o ex-presidente do Congresso Nacional e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A agenda, que também deve ter o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), pode ocorrer ainda nesta semana.
A longa indefinição sobre uma eventual candidatura de Pacheco ampliou a apreensão dentro do PT. A cerca de quatro meses do primeiro turno, a legenda segue sem um nome consolidado para disputar o governo de Minas e ainda busca alternativas para liderar o palanque local.
As tratativas sobre Pacheco são conduzidas diretamente por Lula e Edinho junto à direção nacional do PSB e ao próprio senador. De longe, dirigentes petistas mineiros avaliam que uma eventual sinalização sobre o encerramento das conversas deve partir de Lula.
Isso porque foi o chefe do Executivo federal quem assumiu pessoalmente a articulação para transformar o ex-presidente do Senado no principal nome do campo governista em Minas.
Um longo passado pela frente
Essas dificuldades, avaliam lideranças petistas ouvidas pela reportagem, não surgiram neste ciclo eleitoral.
O problema teria raízes nas eleições de 2006, com o chamado “Lulécio”— dobradinha informal que combinou apoio às reeleições de Lula para a Presidência e de Aécio Neves (PSDB) para o governo do estado — e se aprofundado em 2010 com o “Dilmasia”, outra aliança não oficial para a votação cruzada em Dilma Rousseff (PT) para presidente e Antonio Anastasia (então no PSDB) para governador.
Soma-se a isso, ainda segundo integrantes da legenda, a ausência de renovação de quadros estaduais ao longo dos últimos anos, o que teria reduzido o protagonismo do partido em Minas e ampliado sua dependência de alianças e candidaturas construídas fora de seus próprios quadros.
“Agora não tem mais como consertar os erros do passado. Desafio do PT é preparar nomes a partir de 2030”, disse uma fonte, sob reserva.
Avaliando cenários
A dificuldade para encontrar um nome competitivo também ajuda a explicar as divergências em torno das alternativas hoje discutidas pelo partido.
Embora siga aguardando uma definição de Rodrigo Pacheco, o PT mineiro enfrenta resistências internas à possibilidade de reeditar uma aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT).
Parte desse desgaste remonta a novembro do ano passado, quando o pedetista se reuniu com Edinho Silva sem a participação da direção estadual da legenda. Segundo interlocutores do partido, o episódio até hoje não foi completamente assimilado pela cúpula petista em Minas e apenas reforçou desconfortos que já existiam desde a eleição de 2022.
Kalil, por sua vez, passou a intensificar as articulações de sua pré-candidatura junto ao PSDB. Nas últimas duas semanas, tucanos e pedetistas realizaram ao menos dois encontros para discutir o cenário eleitoral de 2026.
Na reunião realizada na última segunda-feira (18), o presidente estadual do PSDB, o deputado federal Paulo Abi-Ackel, indicou que um eventual entendimento entre as duas legendas passaria pelo afastamento político de Kalil em relação ao presidente Lula.
O leque de opções a Pacheco também tem nomes do próprio PSB, como Josué Gomes, ex-presidente da Federação dás Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e Jarbas Soares Júnior, ex-procurador-geral de Justiça de Minas.
No PV, que compõe uma federação partidária ao lado de PT e PCdoB, há defesa por aproximação a Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) e pré-candidato a governador pelo MDB. Isoladamente, integrantes do PT falam sobre a possibilidade de candidatura própria. A ausência de nomes factíveis para o posto, entretanto, freia tal hipótese.