Grupo eleitoral do PT mineiro marca reunião com Edinho para debater impasse sobre candidatura ao governo

Partido ainda aguarda definição de Rodrigo Pacheco e avalia que problema antecede o atual ciclo eleitoral
Lideranças avaliam que legenda chega sem sucessor estadual consolidado e já fala em preparar quadros para 2030. Foto: Maycon Dantas

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, vai se reunir na próxima segunda-feira (25) com o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do partido em Minas Gerais. O encontro foi marcado em meio a divergências dentro da sigla sobre o futuro da pré-candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB) ao governo do estado.

No início da semana, Edinho afirmou publicamente que o parlamentar não disputará o Palácio Tiradentes. Horas depois, a presidente do PT mineiro, Leninha, declarou que a legenda ainda aguarda uma manifestação oficial do senador antes de considerar encerradas as negociações.

Nos bastidores, aliados de Pacheco e outros petistas pregaram cautela e pontuaram que só será possível cravar um desfecho para a questão após uma conversa entre o ex-presidente do Congresso Nacional e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A agenda, que também deve ter o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), pode ocorrer ainda nesta semana.

A longa indefinição sobre uma eventual candidatura de Pacheco ampliou a apreensão dentro do PT. A cerca de quatro meses do primeiro turno, a legenda segue sem um nome consolidado para disputar o governo de Minas e ainda busca alternativas para liderar o palanque local.

As tratativas sobre Pacheco são conduzidas diretamente por Lula e Edinho junto à direção nacional do PSB e ao próprio senador. De longe, dirigentes petistas mineiros avaliam que uma eventual sinalização sobre o encerramento das conversas deve partir de Lula.

Isso porque foi o chefe do Executivo federal quem assumiu pessoalmente a articulação para transformar o ex-presidente do Senado no principal nome do campo governista em Minas.

Um longo passado pela frente

Essas dificuldades, avaliam lideranças petistas ouvidas pela reportagem, não surgiram neste ciclo eleitoral.

O problema teria raízes nas eleições de 2006, com o chamado “Lulécio”— dobradinha informal que combinou apoio às reeleições de Lula para a Presidência e de Aécio Neves (PSDB) para o governo do estado — e se aprofundado em 2010 com o “Dilmasia”, outra aliança não oficial para a votação cruzada em Dilma Rousseff (PT) para presidente e Antonio Anastasia (então no PSDB) para governador.

Soma-se a isso, ainda segundo integrantes da legenda, a ausência de renovação de quadros estaduais ao longo dos últimos anos, o que teria reduzido o protagonismo do partido em Minas e ampliado sua dependência de alianças e candidaturas construídas fora de seus próprios quadros.

“Agora não tem mais como consertar os erros do passado. Desafio do PT é preparar nomes a partir de 2030”, disse uma fonte, sob reserva.

Avaliando cenários

A dificuldade para encontrar um nome competitivo também ajuda a explicar as divergências em torno das alternativas hoje discutidas pelo partido.

Embora siga aguardando uma definição de Rodrigo Pacheco, o PT mineiro enfrenta resistências internas à possibilidade de reeditar uma aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT).

Parte desse desgaste remonta a novembro do ano passado, quando o pedetista se reuniu com Edinho Silva sem a participação da direção estadual da legenda. Segundo interlocutores do partido, o episódio até hoje não foi completamente assimilado pela cúpula petista em Minas e apenas reforçou desconfortos que já existiam desde a eleição de 2022.

Kalil, por sua vez, passou a intensificar as articulações de sua pré-candidatura junto ao PSDB. Nas últimas duas semanas, tucanos e pedetistas realizaram ao menos dois encontros para discutir o cenário eleitoral de 2026.

Na reunião realizada na última segunda-feira (18), o presidente estadual do PSDB, o deputado federal Paulo Abi-Ackel, indicou que um eventual entendimento entre as duas legendas passaria pelo afastamento político de Kalil em relação ao presidente Lula.

O leque de opções a Pacheco também tem nomes do próprio PSB, como Josué Gomes, ex-presidente da Federação dás Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e Jarbas Soares Júnior, ex-procurador-geral de Justiça de Minas.

No PV, que compõe uma federação partidária ao lado de PT e PCdoB, há defesa por aproximação a Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) e pré-candidato a governador pelo MDB. Isoladamente, integrantes do PT falam sobre a possibilidade de candidatura própria. A ausência de nomes factíveis para o posto, entretanto, freia tal hipótese.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

Leia também:

Grupo eleitoral do PT mineiro marca reunião com Edinho para debater impasse sobre candidatura ao governo

Governo de MG retoma pagamento integral de prestações de empréstimos que custearam o Proacesso

Neymar, Seleção e as raízes do Brasil

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse