O fim da Câmara Empresarial no TJ de Minas

Desembargadores do Pleno da Corte votaram e decidiram encerrar dois colegiados especializados nesta segunda-feira (16)
Sessão do TJMG julgou e rejeitou ação do PT contra a extinção da BHTrans. Foto: Divulgação/TJMG
TJMG manteve apenas as Câmaras especializadas em Direito de Família. Foto: Divulgação/TJMG

O Pleno do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu, na tarde desta segunda-feira (16), encerrar as Câmaras Especializadas em Direito Empresarial e em Direito Criminal. As votações ocorreram durante sessão realizada na sede do tribunal, em Belo Horizonte, e marcaram uma mudança relevante na estrutura interna da Corte.

Por 92 votos contra 39, os desembargadores rejeitaram a manutenção da especialização da 16ª e da 21ª Câmaras Cíveis, que atuavam exclusivamente em demandas de Direito Empresarial e matérias correlatas, incluindo registros públicos e ações previdenciárias com participação do INSS. Já a especialização da 9ª Câmara Criminal, dedicada a casos relacionados à Lei Maria da Penha, além de atos infracionais previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, foi rejeitada por 96 votos a 36.

A votação desta segunda-feira não definiu como será feita a redistribuição de todos processos atualmente sob responsabilidade dessas câmaras especializadas. O tribunal decidiu que eles permanecerão nos colegiados pelo menos até 31 de julho, sem previsão imediata de redistribuição para outras varas.

Já novos casos, a partir de 1º de agosto, envolvendo recuperação judicial e falência serão enviados para as varas de direito público.

Dentre as câmaras especializadas, apenas as de Direito de Família foram referendadas pelo Pleno. A especialização da 4ª e da 8ª Câmaras Cíveis foi aprovada por 77 votos a 51, mantendo sua atuação exclusiva em temas como guarda, alimentos, adoção, curatela, além de casos de sucessão e indenizações relacionadas a relações familiares.

Atualmente, o TJMG conta com 21 Câmaras Cíveis e 9 Câmaras Criminais. Até esta segunda-feira, quatro dessas câmaras eram especializadas — duas em Direito de Família, duas em Direito Empresarial — e uma criminal voltada a questões de violência doméstica e infância.

A manutenção das câmaras especializadas vinha sendo tema de intenso debate dentro do Tribunal de Justiça. Entidades como a seccional mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) manifestaram apoio à continuidade das especializações. No ano passado, representantes da OAB defenderam em audiência pública realizada no TJMG que as câmaras especializadas seriam importantes para a celeridade, qualidade técnica e segurança jurídica das decisões.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

A quarta-feira cheia da ALMG nesta semana

O mal-estar no PT por causa de vídeo de Marília Campos com Gabriel Azevedo

Justiça rejeita ação de suplente contra vereadora de BH por uso de ‘Carreta da Saúde’ em campanha

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse