Uma semana depois do 1º turno, o publicitário mineiro Vitor Colares foi chamado ao comitê nacional da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em São Paulo, para reorganizar a comunicação do presidente em Minas Gerais. Ele defendeu que o estado, o único a ter o resultado modificado no 2º turno, tivesse uma campanha própria, menos dependente das peças produzidas pela equipe nacional.
Lula ampliou o desempenho no estado em cerca de 1,5 milhão de votos em menos de 20 dias. No domingo (25), o presidente votou com um adesivo criado pela equipe de Colares.
O mineiro foi levado ao comitê por Otávio Antunes e Halley Arrais, da equipe de comunicação de Lula. Os dois já tinham aprovado o nome dele para comandar a campanha de Patrus Ananias (PT) ao governo. A chegada do publicitário ocorreu em meio às divergências entre os dois principais responsáveis pela comunicação do presidente: o ministro Sidônio Palmeira e o próprio Antunes.
A tese apresentada em São Paulo partia de uma premissa repetida em eleições presidenciais: quem vence em Minas, vence no Brasil. Para o grupo, a campanha no estado precisava abrir mão de parte do controle institucional e apostar em uma comunicação descentralizada. Nesse modelo, ganhou espaço a rede de apoiadores do deputado federal André Janones (Rede), que atua nas redes sociais de forma independente da campanha oficial.
Aval do PT e articulação de Silveira
O nome de Colares teve o apoio da presidente estadual do PT, Leninha, e da secretária-adjunta de Comunicação do PT nacional, Camila Moreno. Com isso, o comitê mineiro ganhou autonomia para produzir peças voltadas ao eleitorado do estado.
A coordenação política ficou com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), que trabalhava com Colares desde o 1º turno. Segundo integrantes da campanha, coube a Silveira negociar com prefeitos e lideranças regionais para ampliar o alcance da estratégia.