O protagonismo dado ao deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o maior erro da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno da disputa presidencial, avalia o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, do Republicanos.
Para Cunha, que apoiou o candidato liberal ao Palácio do Planalto, um dos exemplos do equívoco está em Minas Gerais, onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu reverter a derrota em 1º turno. No entendimento do ex-parlamentar, o principal cabo eleitoral de Flávio no estado foi Nikolas, e não o governador eleito e correligionário Cleitinho Azevedo.
“Flávio cometeu o maior dos seus erros, em deixar que o deputado Nikolas Ferreira colocasse em prática a sua estratégia de captura do bolsonarismo em prática. Por mais méritos que ele tenha na forma de se comunicar, ele se comunica essencialmente para a bolha do bolsonarismo, ele prega para convertido, não agrega um voto fora da bolha. Ao contrário: agrega rejeição”, escreveu, em artigo publicado pelo Poder360 nesta segunda-feira (26).
Cunha, que disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Republicanos mineiro, mas não se elegeu, tinha o PL como plano A para a eleição deste ano. No entanto, como mostrou O Fator, o embarque no partido foi brecado por uma articulação de Nikolas.
Flávio terminou a primeira votação com quase cinco pontos percentuais de vantagem sobre Lula em solo mineiro (48,24% a 43,33%). Na rodada final, entretanto, perdeu por 50,43% a 49,57%.
“Qual a razão de não ter entregue ao governador eleito de Minas a campanha em 2º turno, já que ele teve 53% dos votos válidos em 1º turno, contra 30% de Nikolas?”, criticou ele.
‘Custo a acreditar que Nikolas desejava a vitória de Flávio’
No mesmo texto, Cunha afirma ter dúvidas sobre o desejo de Nikolas por um triunfo do aliado
“Eu custo a acreditar que Nikolas desejava a vitória de Flávio, pois a ele só interessa o embate. Como fazer esse embate tendo o seu aliado no governo, tendo a obrigação de defender esse governo? Agora, vem o mais difícil de entender: por que entregar a campanha inteira do 2º turno a esse personagem que nitidamente tem planos de criar o seu ‘nikolismo’?”, prosseguiu.
O formato dos atos públicos de campanha também foi questionado pelo ex-presidente da Câmara. As agendas de Nikolas aconteceram por meio dos chamados “bloquinhos” de rua.
“Tem algum sentido, fazer bloquinho de Carnaval para ficar dançando em carro elétrico como se o destino do país fosse ser resolvido em um baile de Carnaval? Por óbvio, além de ter tirado votos em todas as cidades por onde foram, ainda ajudaram a aumentar a rejeição de Flávio em outros lugares, principalmente perante os indecisos”, apontou.