O perfil predominante dos candidatos registrados em Minas

Com os dados enviados pelos concorrentes ao TRE, O Fator montou o retrato com as características mais frequentes nos documentos
Sede do TSE em Brasília.
Dados da Justiça Eleitoral apontam para manutenção de perfil predominante pouco semelhante à realidade da população nas eleições deste ano. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.

A combinação das características mais frequentes entre os candidatos nas eleições deste ano, em Minas Gerais, aponta para um perfil predominante já conhecido: homem, branco, de 49 anos, com ensino superior completo, empresário e casado.

Para chegar à conclusão, O Fator repartiu as cerca de 1,8 mil candidaturas em seis variáveis: gênero, cor/raça, idade média, grau de instrução, ocupação e estado civil, considerando a moda (o valor que aparece com mais frequência em um grupo de dados). A exceção fica pela idade, na qual a reportagem se atentou à média.

Para todos os critérios, o levantamento considera as autodeclarações feitas pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em relação ao pleito de 2022, não houve alterações significativas. Há quatro anos, o candidato predominante no estado era homem, branco, de 50 anos, com ensino superior completo, empresário e casado.

Ainda assim, as eleições deste ano, ao menos estatisticamente, estão menos desiguais em Minas. Em 2022, 67% dos concorrentes eram homens, dado que cai para 65% neste ano. Se os negros (junção de pardos e pretos) somavam 51% dos candidatos mineiros no pleito anterior, hoje alcançam um ponto percentual a mais — 52%.

Vale lembrar, no entanto, que parte das candidaturas referentes a 2026 ainda pode não se concretizar. Isso porque a Justiça Eleitoral ainda não julgou as chapas, sobretudo quanto à elegibilidade dos nomes cadastrados pelos partidos.

Especialista analisa

Para Jorge Alexandre Neves, professor de sociologia política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a estagnação do perfil predominante das candidaturas em Minas acompanha a falta de interesse dos partidos políticos em lançar e financiar concorrentes que atualmente não ocupam o poder.

“Uma vez que você está no poder, você se esforça para se manter. Então, os partidos se tornam um pouco conservadores nesse aspecto e tentam defender os interesses dos seus quadros já eleitos. As emendas parlamentares, por exemplo, contribuem também para essa baixa taxa de renovação política”, diz.

Além disso, o professor cita o processo de fragilização de movimentos coletivos da sociedade civil desde as manifestações de 2013 e a reforma trabalhista de 2017.

“Ainda estamos bastante longe (do ideal), mas se pensarmos no processo de consolidação de uma trajetória civilizatória no Brasil, nós vínhamos num processo quase que linear de tornar nossa democracia mais representativa em relação à realidade da sociedade brasileira. Isso começa a mudar a partir de 2013, quando começamos a ter uma certa contestação dessa trajetória democrática com um período forte de retrocesso. Estamos, agora, em busca de uma retomada desse processo, mas em uma nova realidade coletiva”, afirma.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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