O prazo para Cleitinho definir se será candidato ao governo de Minas

Bem avaliado nas pesquisas, o senador vai usar o tempo para analisar se vale a pena disputar o Executivo estadual
Foto mostra Cleitinho segurando um bodoque
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) decidiu postergar para março a definição sobre disputar ou não o governo de Minas. Até lá, ele pretende avaliar cenários, testar estratégias e decidir se quer, de fato, entrar na corrida ao Executivo estadual.

O adiamento reflete um cálculo político. Como mostrou O Fator, um dos elementos mais sensíveis é a possibilidade de o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) apoiar Mateus Simões (PSD). O movimento, caso se confirme, pode isolar Cleitinho. 

A indefinição de Nikolas sobre a própria candidatura também trava o jogo. Cleitinho já afirmou publicamente que o apoiaria caso o deputado federal decidisse disputar o governo.

Hoje, aliás, Cleitinho e Nikolas estão na liderança das pesquisas de intenção de voto. O bom posicionamento nos levantamentos eleitorais dá margem para que o senador possa calibrar a estratégia até março sem muito prejuízo, segundo avaliam interlocutores. Por outro lado, uma espera prolongada dá mais tempo à oposição para fazer campanha.

Outro ponto que pesa na decisão é a relação com o presidente estadual do Republicanos, o deputado federal Euclydes Pettersen. O senador tem se afastado do dirigente e essa distância entra na conta sobre seguir com o projeto estadual.

Trajetória e impacto na família

Com presença forte nas redes sociais, onde soma mais de 3,5 milhões de seguidores, Cleitinho construiu trajetória meteórica: foi vereador em Divinópolis, deputado estadual, tornou-se um dos políticos mais conhecidos do estado e chegou ao Senado com discurso de confronto. 

Agora, ele tenta entender se vale a pena usar esse capital em uma eleição para o Executivo estadual. 

A escolha do senador também repercute dentro da própria família. Cleitinho tem dois irmãos na política: Eduardo Azevedo (PL), que assumiu a cadeira do senador na Assembleia, e Gleidson Azevedo (Novo), prefeito de Divinópolis. É justamente Gleidson quem mais depende da definição.

Se Cleitinho for candidato ao governo, Gleidson terá dificuldade em permanecer no Novo. A sigla apoia Mateus Simões, que migrou para o PSD, mas segue respaldado pelos novistas. 

Nesse cenário, o prefeito teria que mudar de partido. 

Se Cleitinho não disputar, Gleidson pode sair candidato a deputado federal, tornando-se um dos principais nomes do Novo na chapa.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

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