O primeiro lote de soros da Funed após nove anos de paralisação

Produção dos compostos foi interrompida em 2016, mas retomada neste ano; remessa irá para o Ministério da Saúde
Foto mostra soros da Funed
Funed retomou a produção de soros antipeçonhentos em março. Foto: Governo de Minas/Divulgação

A Fundação Ezequiel Dias (Funed) concluiu a produção do primeiro lote de soros antipeçonhentos desde a paralisação da fábrica da entidade, em 2016. São cerca de 8 mil ampolas para combater os efeitos de picadas de serpentes do gênero Bothrops, como as jararacas. O destinatário dos frascos é o Ministério da Saúde, que vai recebê-los no início do ano que vem.

O repasse dos frascos ao governo federal ainda não aconteceu porque o contrato para o fornecimento dos soros carece de assinatura, o que deve acontecer em janeiro. O Ministério da Saúde sinalizou informalmente ter demanda suficiente para receber 100 mil doses. 

A interrupção da produção de soros aconteceu por causa da necessidade de adequar a planta da Funed às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A retomada, oficializada em março deste ano, freou uma sequência de adiamentos em série.

Em junho de 2023, por exemplo, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Bacchereti, chegou a prever a reabertura da planta produtiva da Funed em novembro daquele ano.

Um impasse com o governo dos Estados Unidos da América (EUA), entretanto, modificou a rota. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) atrasou a entrega da permissão que serviria para liberar a entrada, no país, de bolsas de soro que seriam validadas pela Sartorius, laboratório que repassa, à Funed, itens essenciais ao processo produtivo dos antídotos.

Ainda no ano retrasado, a Funed passou a considerar a hipótese de voltar a produzir soros no primeiro semestre do ano passado. A estimativa não se concretizou porque um problema no sistema de ar comprimido da fundação obrigou o adiamento da retomada.

Cardápio de soros

Desde 2023, a Funed é presidida pelo ex-deputado estadual Felipe Attiê. A entidade tem autorização da Anvisa para produzir não apenas soros antipeçonhentos, mas também compostos antitetânicos e antirrábicos. 

A Funed avalia a possibilidade de mudar sua personalidade jurídica. Hoje constituída como autarquia, a fundação tem, entre as hipóteses examinadas, a transformação em empresa pública.

O entendimento é que a alteração pode desburocratizar processos como a compra de materiais. Os estudos sobre a possível troca na personalidade jurídica são conduzidos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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