O deputado federal Reginaldo Lopes (PT) será o responsável por parte do desenho político da campanha da ex-prefeita de Contagem e correligionária Marília Campos ao Senado Federal por Minas Gerais. Caberá a ele mapear as macrorregiões do estado, definir prioridades, articular lideranças e organizar agendas para ampliar a capilaridade da pré-candidatura petista.
A definição, apurada por O Fator, estabelece uma divisão de tarefas na campanha. Enquanto Marília intensificará as viagens pelo estado, Reginaldo ficará encarregado por uma parte da estratégia territorial, aproveitando a rede de alianças construída ao longo de sucessivos mandatos como deputado federal.
A nova missão também simboliza a pacificação entre os dois, após meses de especulações sobre um desgaste interno no PT. Nos últimos dias, Marília e Reginaldo gravaram um vídeo conjunto divulgado nas redes sociais em um gesto de unidade.
Questionado pela reportagem sobre uma eventual desavença, Reginaldo negou qualquer atrito. “Nunca existiu. O debate era sobre a candidatura própria. Minha opção é a Câmara Federal e ajudar o presidente Lula”, afirmou.
Histórico
A relação entre os dois ficou tensionada durante a crise enfrentada pelo PT mineiro após a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB) de disputar o governo de Minas.
Com Lula e a direção nacional defendendo uma candidatura própria ao Palácio Tiradentes, Marília resistiu à ideia e manteve a preferência pela disputa ao Senado, além de defender uma composição com um pré-candidato de outro partido, como Jarbas Soares Júnior (PSB) ou Gabriel Azevedo (MDB). A posição desagradou parte da corrente majoritária do partido, da qual Reginaldo é uma das principais lideranças.
Nos bastidores, chegou a circular a possibilidade de Reginaldo disputar o Senado caso Marília fosse convencida a concorrer ao governo. O deputado negou a intenção e declarou apoio à colega de partido, mas o ambiente de disputa interna alimentou especulações sobre um distanciamento entre ambos.