Os argumentos da Equatorial ao Cade por aval à compra da Copasa

Nova sócia de referência da empresa mineira, companhia quer aprovação da negociação por meio do rito sumário
Estrutura da Copasa
Equatorial venceu a disputa pelo posto de investidor de referência. Foto: Copasa/Divulgação

Nova sócia de referência da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a Equatorial pediu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que a operação seja analisada sob rito sumário, modalidade simplificada que permite o exame célere de negociações tidas como menos complexas. 

Segundo a holding, a aquisição de 30% não gera preocupação quanto à concentração de mercado. Para tal, a investidora âncora sustenta que, neste momento, presta serviços de saneamento exclusivamente no Amapá, por meio da CSA Equatorial, enquanto a Copasa tem atividades restritas ao território mineiro. 

“Essa relação não suscita preocupações concorrenciais, uma vez que as participações de mercado do Grupo Equatorial após a Operação permanecerão limitadas e o incremento na concentração de mercado será reduzido, com variação de HHI inferior a 200 pontos”, sustentou.

A sigla HHI presente nos argumentos da Equatorial se refere ao Índice Herfindahl-Hirschman, utilizado para medir a concentração de mercado em determinado setor. Operações com pontuação abaixo de 200 são consideradas sem risco.

A Equatorial encaminhou o pedido de aval ao órgão antitruste em 16 de junho. Como O Fator já mostrou, o grupo estima que o sinal verde será dado até o início de agosto. Segundo consulta feita pela reportagem aos autos do processo nesta terça-feira (30), ainda não há decisão.

A holding se tornou sócia da Copasa por meio da subsidiária Gerais Saneamento, que ofereceu R$ 5,59 bilhões por 30% dos 50,03% detidos pelo governo estadual. O Executivo ainda negociou outros 15% no mercado, fazendo a operação alcançar R$ 8,38 bilhões.

Ao pedir a aprovação via rito sumário, a Equatorial menciona o desejo do Palácio Tiradentes de aportar o montante em obras de infraestrutura exigidas pelo Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). A operação, diz a nova investidora, contribui “para o reequilíbrio fiscal e a sustentabilidade das contas públicas”.

“Para o estado de Minas Gerais, a operação representa a oportunidade de ampliar a capacidade de investimentos no setor de saneamento básico, considerando as limitações fiscais enfrentadas, viabilizando o cumprimento e a antecipação das metas de universalização previstas no novo marco legal do saneamento”, acrescenta.

Também conforme a Equatorial, o grupo tem o desejo de ganhar terreno no setor de saneamento, “reforçando seu posicionamento como uma das principais plataformas de utilities do Brasil”. 

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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