Os detalhes da operação da Polícia Civil em endereços ligados a Coronel Sandro

Caso envolve acusação de perseguição, por meio de vídeos e outdoors, a dono da rede de supermercados Coelho Diniz
Coronel Sandro
Coronel Sandro voltou à Prefeitura de Governador Valadares nesta semana. Foto: Alexandre Netto/ALMG

A operação de busca e apreensão da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em endereços ligados ao prefeito de Governador Valadares (Vale do Rio Doce), Coronel Sandro (PL), está relacionada a uma investigação que apura a prática de uma campanha de difamação contra o empresário Alex Coelho Diniz, da rede supermercadista Coelho Diniz. Nesta sexta-feira (24), agentes foram a três imóveis na cidade.

A decisão que autorizou a operação foi expedida na quarta-feira (22) pelo juiz Everton Villaron de Souza, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Governador Valadares. O magistrado permitiu o recolhimento de celulares, computadores e documentos que possam, eventualmente, comprovar os meandros dos supostos crimes contra a honra, cometidos por meio de um perfil no Instagram e de outdoors instalados na cidade.

Sandro foi eleito prefeito em 2024, com o apoio de Alex Coelho Diniz. Posteriormente, acabaram rompendo politicamente. O chefe do Executivo sofreu impeachment em 14 de maio, acusado de firmar irregularmente um contrato para a prestação de serviço de transporte escolar no município. Nesta semana, ele voltou ao cargo por força de liminar concedida pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme a decisão de Souza, obtida por O Fator, Diniz acionou a Justiça alegando ser alvo de uma “orquestrada e agressiva campanha de descredibilização”. O movimento, narra, teria começado por meio do perfil apócrifo “@bora_gv”, que publicou, no Instagram, uma animação imputando condutas criminosas a um personagem chamado de “empresário amarelo” — cor presente na identidade visual dos supermercados do empresário.

Outdoors e carros de som

Depois, dizem os autos, houve a instalação de outdoors com a frase “A prefeitura não é um supermercado”. Ao lado da inscrição, estava a hashtag #FechadoComCoronelSandro. Em 13 de maio — dia anterior à votação do impeachment — dois carros adesivados com fotos de vereadores e a imagem de um cheque — circularam por Valadares reproduzindo áudios que acusavam Diniz de oferecer dinheiro a um parlamentar para influenciar o processo de cassação.

Em depoimento à Polícia Civil, o condutor de um dos veículos disse ter recebido R$ 1 mil de um empresário aliado de Sandro para participar do movimento. O empresário também teria sido o responsável por alugar o um dos carros utilizados.

No que tange aos outdoors, narra a decisão, a apuração policial preliminar encontrou documentos mostrando o pagamento, por parte de Marco Aurélio, um dos filhos de Sandro, de R$ 12 mil à empresa responsável pela confecção das placas

“A investigação revelou consideráveis investimentos financeiros e o emprego de sofisticado esquema multiplataforma para desestabilizar a honra do requerente, com indícios da possível prática do crime de associação criminosa (art. 288 do CP). Diante disso, as diligências meramente documentais e cartorárias não têm o condão de acessar as verdadeiras fontes de financiamento, as trocas de mensagens articuladas, orientações e recebimentos escusos envolvidos no planejamento delitivo”, lê-se em trecho da decisão.

Prefeito fala em perseguição

Ao comentar sobre a operação, Coronel Sandro disse ser alvo de perseguição. Ele afirmou não saber se Marco tem responsabilidade pelos outdoors, mas afirmou que, em caso positivo, o agradeceria por tê-lo defendido.

“Nunca vi busca e apreensão por difamação —que é falar mal dos outros. Minha família continua sob ameaça”, protestou.

O que diz a Polícia Civil?

Procurada por O Fator, a Polícia Civil informou que os mandados de busca foram cumpridos “no âmbito de investigação relacionada à suposta prática de crime contra a honra”, sem a realização de prisões.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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