A Câmara Municipal de Governador Valadares (Vale do Rio Doce) aprovou, nesta quinta-feira (14), a cassação do mandato do prefeito Coronel Sandro (PL). Houve 18 votos favoráveis ao impeachment e 3 manifestações contrárias. A sessão que aprovou o recebimento da nova denúncia ocorreu em meio a um ambiente de tensão no Legislativo municipal. Durante a votação, as luzes do plenário chegaram a ser desligadas, obrigando parte dos trabalhos a prosseguir em condições improvisadas.
O vice de Sandro é Bonifácio Mourão, também do PL. Ele assumirá a vaga do prefeito afastado. Ex-deputado estadual, Mourão foi prefeito de Valadares de 1997 a 2001 e entre 2005 e 2009.
É a primeira vez que um chefe do Executivo de Valadares perde o mandato a partir de um processo de impeachment conduzido pelo Legislativo municipal. Para que o afastamento fosse oficializado, eram necessários os votos de ao menos 14 dos 21 vereadores. O resultado superou com folga o mínimo exigido para o afastamento do chefe do Executivo.
O processo de impeachment foi aberto a partir de denúncias sobre falhas na execução e na condução do contrato de transporte dos alunos da rede municipal de ensino. Sandro acionou a Justiça para tentar brecar o andamento do rito na Câmara. Nessa quarta-feira (13), entretanto, o juiz Anacleto Falci, da 2ª Vara Cível da cidade, negou pedido pela suspensão da análise.
Além do revés jurídico, a má ambiência do agora ex-prefeito era também política. Como mostrou O Fator, vereadores e aliados da própria base governista reconheciam reservadamente uma tendência de ampla maioria favorável à cassação.
Outra denotação do isolamento político de Sandro na Câmara Municipal aconteceu na terça-feira (12), quando os vereadores receberam uma segunda denúncia. A nova petição, relacionada à compra de kits escolares, sustenta que o município teria pago até R$ 7,8 milhões acima de preços disponíveis em atas de registro de preços de outros consórcios públicos e do governo federal.
A denúncia
O pedido de cassação, protocolado pelo morador Fabiano Márcio da Silva, remonta a julho do ano passado, quando a prefeitura rescindiu o contrato com a CPTRANSLETE, cooperativa que operava o sistema escolar. Poucos dias depois, em agosto, a empresa Alphavia Transportes e Máquinas teria assumido as rotas.
Segundo a acusação, a adesão de Valadares ao Consórcio Interfederativo de Minas Gerais (Ciminas) — estrutura escolhida para centralizar o novo serviço — e a assinatura do convênio só foram formalizadas em 3 de setembro de 2025, cerca de um mês após o início das atividades da Alphavia. O extrato contratual só foi publicado no Diário Oficial em outubro.
Ainda conforme a peça, a nova prestadora teria operado a frota utilizando parte da estrutura vinculada à cooperativa anterior.