O ex-presidente da Câmara de BH Henrique Braga (MDB) entrou com uma ação no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais para cassar o mandato do atual vereador Cleiton Xavier (União Brasil). A justificativa usada por ele é de infidelidade partidária.
Na ação, a qual O Fator teve acesso, Braga acusa Xavier de mudar de partido durante a última janela partidária, que não atendia ao mandato de vereadores, já que o cargo não está em disputa no pleito de outubro próximo. A troca do MDB pelo União Brasil aconteceu em 4 de abril, segundo o documento.
“Tratando-se de mandato de vereador com encerramento previsto para dezembro de 2028, a janela para migração imotivada somente se abriria no ano de 2028. Portanto, o ato praticado em abril de 2026 é flagrantemente prematuro e desprovido de qualquer amparo legal que justifique a manutenção do mandato”, escreve o advogado de Braga na ação.
Ainda segundo o advogado de Henrique Braga, a mudança de partido feita por Cleiton “fere frontalmente o quociente partidário e despreza a confiança depositada pelos eleitores de Belo Horizonte na plataforma política defendida pelo MDB nas eleições de 2024”.
Nos pedidos, Henrique Braga requer, além da cassação do vereador Cleiton Xavier, a notificação do União Brasil e do Ministério Público Eleitoral; e a imediata convocação do suplente, no caso, o próprio Braga.
Cleiton Xavier somou 7.382 votos na última eleição municipal, ante 4.863 preferências do eleitorado para Henrique Braga. A causa tem valor de R$ 1 mil.
A reportagem procurou Cleiton Xavier e aguarda posicionamento do vereador.
Antigos aliados
Cleiton Xavier e Henrique Braga ocuparam o mesmo campo político durante a legislatura passada, marcada pela divisão da Câmara de BH entre dois grupos: um ligado ao então secretário de Governo de Romeu Zema (Novo), Marcelo Aro (PP); e outro relacionado ao ex-presidente da CMBH, Gabriel Azevedo (MDB).
Os dois vereadores em questão estiveram ao lado de Gabriel na disputa dele contra a chamada Família Aro, que chegou a apresentar dois pedidos de impeachment contra o ex-presidente da Câmara. Em ambos movimentos, Cleiton Xavier e Henrique Braga foram vistos várias vezes em fotos ao lado do ex-chefe do Legislativo.
A convergência levou ambos a se filiarem ao MDB, na esteira de Gabriel, para disputar as eleições de 2024. Antigo quadro do PSDB e ligado à igreja evangélica, Braga deixou os tucanos acusando o ex-partido de “desonestidade”. Já Cleiton, investigador da Polícia Civil, deixou o PMN (atual Mobiliza) justamente pelo controle do diretório estadual da legenda por Marcelo Aro.