A direção nacional do PDT, partido de Alexandre Kalil, decidiu que as alianças estaduais devem priorizar a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual a sigla já embarcou. A resolução é oficial e consta na ata da convenção da legenda, ocorrida na segunda-feira (20).
Apesar do texto, a cúpula pedetista em Minas Gerais garante que a pré-candidatura de Kalil ao governo segue de pé e não terá vinculação com o palanque local de Lula.
“Foi aprovada delegação de poderes a Executiva Nacional para tratar das alianças estaduais, que devem priorizar apoio à candidatura de Luís Inácio Lula da Silva (sic), podendo para tal, praticar todos os atos necessários para o cumprimento das deliberações estabelecidas nesta convenção partidária”, lê-se em trecho da ata, acessada por O Fator por meio do sistema da Justiça Eleitoral.
À reportagem, o presidente estadual do partido, o deputado federal Mário Heringer, disse que a ideia de Kalil de disputar a eleição sem dar sustentação a nenhum postulante à Presidência da República está pacificada junto à direção nacional do PDT.
“Sabemos que Kalil fez uma opção por não ter palanque nacional, porque faz uma disputa para ser governador de Minas. Divisão de palanque, neste momento, para a gente, tira o foco dessa campanha específica e direciona-o para uma campanha presidencial. Nosso objetivo, por Minas Gerais, é fazer o governo do estado. O partido sabe disso”, assegurou.
Na avaliação de Heringer, o fato de a resolução colocar no condicional, por meio da palavra “podendo”, a hipótese de realizar os “atos necessários” que garantam o cumprimento da prioridade a Lula, confere segurança à estratégia do PDT mineiro.
“Vamos nos comportar sob a orientação do partido e fazer a campanha do Kalil independentemente do palanque com Lula”, pontuou.
Cobrança por reciprocidade
O PT já definiu o deputado federal Patrus Ananias como representante na corrida ao Palácio Tiradentes. O parlamentar, que por força da federação liderada pelos petistas já terá a participação de PV e PCdoB em sua coalizão, tenta atrair para o grupo outras agremiações da centro-esquerda e da esquerda, como PSB, Psol e Rede Sustentabilidade.
]Como O Fator já mostrou em outras ocasiões, dirigentes do PT chegaram a defender que o PDT promovesse, em Minas Gerais, um gesto de retribuição à decisão dos correligionários de Lula de retirar a pré-candidatura de Edegar Pretto ao governo do Rio Grande do Sul em prol do endosso à trabalhista Juliana Brizola.
Busca por apoios
Enquanto dialogam com o partido de Patrus, Psol e Rede, unidos em uma federação, também planejam retomar as conversas com Kalil. As tratativas começaram em abril, mas acabaram estagnadas. Agora, há a expectativa por uma nova reunião ainda nesta semana.
A prioridade dos pessolistas é conseguir espaço para a pré-candidatura da ex-deputada federal Áurea Carolina ao Senado Federal. Nessa terça-feira (21), o bloco levou a questão para uma reunião com representantes do PT, mas o encontro terminou sem a garantia de que a ex-parlamentar será acomodada na chapa.
O PDT também mantém interface com o PSDB. Segundo tucanos, as conversas com Kalil são, neste momento, as mais adiantadas.