Integrantes do PL mineiro passaram a reproduzir, no âmbito estadual, as discussões de lideranças nacionais sobre o futuro do partido após a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. O tema foi pauta de debate em um grupo de WhatsApp que reúne deputados do partido no estado nesta quarta-feira (28).
Nas mensagens, acessadas por O Fator, parte dos interlocutores defende a preservação da influência da família Bolsonaro. Outro grupo prefere projetar o espaço que nomes como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) podem ocupar na reorganização do campo conservador.
Entre as questões levantadas nas mensagens, estão a manutenção da identidade bolsonarista e a possibilidade de renovar a liderança do movimento sem provocar um rompimento com o grupo que deu sustentação eleitoral à legenda.
Para entender a questão, O Fator procurou o deputado estadual Cristiano Caporezzo e o deputado federal Junio Amaral, que possuem opiniões diferentes sobre a questão.
Para o integrante da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), não há possibilidade de substituição da família Bolsonaro na dianteira do movimento conservador.
“Se liderança fosse substituível com a mera ausência do líder, a esquerda teria substituído Lula quando ele estava preso”, afirmou Caporezzo.
O deputado estadual defendeu que a reação da direita seja organizada em torno de pautas como a liberdade de expressão e a oposição à regulação das redes sociais. Para ele, a mobilização dos eleitores conservadores deve continuar vinculada às bandeiras que sustentaram o movimento bolsonarista.
Já Junio Amaral vê em Nikolas uma referência nacional em ascensão, embora ressalte que o deputado federal precisará ampliar sua capacidade de articulação.
“Independentemente da saída de Flávio, Nikolas já seria nessa próxima legislatura uma grande referência, em Minas e no Brasil. Isso não muda”, afirmou.
Amaral ponderou, porém, que a projeção eleitoral de Nikolas precisará ser acompanhada de maturidade política e capacidade de diálogo com outros grupos da direita. Na avaliação dele, o colega de Câmara reúne força eleitoral e alinhamento ideológico para influenciar os rumos do campo conservador, inclusive cobrando coerência dos representantes com o discurso adotado durante a campanha.
Divergências também aparecem nas redes
As mensagens revelam ainda diferenças sobre como os integrantes do PL devem se comportar publicamente depois da derrota. Uma ala defende que os parlamentares evitem manifestações imediatas e aguardem a redução da repercussão negativa do resultado eleitoral. A avaliação é de que declarações precipitadas podem ampliar o desgaste e dificultar a reorganização da legenda.
Outro grupo, mais próximo da família Bolsonaro, considera necessário que os integrantes do partido se manifestem em apoio a Flávio nas redes sociais. Para esses interlocutores, demonstrar lealdade ao senador e ao ex-presidente é uma forma de preservar a identidade do movimento e evitar que a derrota seja interpretada como perda de influência política da família.