Desfalcada, base de Zema ‘tira time de campo’ para não votar emendas no reajuste de servidores

ALMG votou projeto em primeiro turno, mas quórum foi derrubado antes da análise de mudanças no texto
Ao todo, logo após a votação do projeto original em primeiro turno, 21 deputados da base deixaram o plenário para derrubar o quórum. Foto: Elizabete Guimarães/ALMG
Ao todo, logo após a votação do projeto original em primeiro turno, 21 deputados da base deixaram o plenário para derrubar o quórum. Foto: Elizabete Guimarães/ALMG

Boa parte da base do governo Zema na Assembleia mineira jogou a culpa na véspera de feriado por ter tido que recuar no quórum da sessão desta quarta-feira (29) para evitar que a Casa discutisse a inclusão de emendas e mudanças no projeto de reajuste salarial do funcionalismo. Só que, além da folga prolongada nesta quinta e sexta, outros motivos também assombram os governistas: a impopularidade da pauta e o receio de deputados que são pré-candidatos a prefeito.

Desde a manhã desta quarta, as lideranças do governo na Assembleia já articulavam a estratégia de votação. Se as ausências fossem muitas, o plano era esvaziar a sessão para impedir que ela continuasse. E assim foi feito, uma vez que cerca de oito parlamentares classificados como governistas não estavam na Casa. Ao todo, logo após a votação do projeto original em primeiro turno, 21 deputados da base deixaram o plenário para derrubar o quórum.

Além disso, a impopularidade da pauta mostrou-se ainda mais explícita diante da maciça presença de sindicalistas e servidores ao longo de todo o dia. Não apenas as galerias que cercam o plenário, como também a Praça da Assembleia e a Rua Rodrigues Caldas – principal acesso à ALMG – ficaram tomadas por manifestantes, com cartazes, faixas e apitos, deixando um clima de visível tensão entre os parlamentares.

Antes da debandada, alguns deputados da base chegaram a sugerir a votação de emendas autorizativas – ou seja, ficaria a cargo do governo, assim que o texto chegasse à sanção do governador, para decidir o que entraria ou não. A tentativa foi vista por membros do governo como uma forma de parlamentares tentarem jogar a pressão somente para o Executivo.

No texto original, o Executivo prevê um reajuste de 3,6% para o funcionalismo. No caso das forças militares, o projeto é ainda mais polêmico porque também há uma previsão de mudança no regime previdenciário das polícias, o que, na prática, poderia resultar em uma redução real nas remunerações. Na Assembleia, a emenda que mais tem ganhado espaço até aqui prevê reajuste para 10,67%. Com o desfalque dos deputados da base, seria impossível que os governistas vencessem no voto essa proposta.

As ausências de deputados da base são sentidas porque a bancada do PL, que possui o maior número de deputados na Casa, é irredutível quanto ao reajuste “baixo” para, principalmente, as forças policiais. A propósito, a ida da deputada Alê Portela (PL) para a secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), a ser concretizada na próxima semana, não teve relação com as negociações pelo projeto do funcionalismo, e sim com uma aproximação partidária e programática entre Novo e PL.

A expectativa do governo é que, até a semana que vem, exista um acordo com a oposição para que se vote o projeto em segundo turno e com emendas previamente acordadas. Como O Fator vem relatando, há, em curso, uma tentativa do governo Zema de fazer um novo afago ao PL ajudando deputados do partido a apresentarem um novo texto que consiga conter os ânimos dos servidores.

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