Prefeitura mineira barra evento de pré-candidato milionário por falta de vínculo com a cidade

Empresário vem sendo sondado por diversos partidos em sua primeira pré-campanha a uma cadeira na Câmara dos Deputados
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Praça da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Anjos, em Angelândia. Foto: Arquidiocese de Diamantina

A Prefeitura de Angelândia, no Vale do Jequitinhonha, não autorizou a realização do evento de lançamento do Insitituto Olavo Keesen, do empresário e pré-candidato a deputado federal Olavo Keesen, por entender que a entidade não comprovou atuação na região. A atividade estava programada para acontecer nessa sexta-feira (27),

No parecer da procuradoria, a prefeitura aponta que o instituto tem sede em Belo Horizonte e não comprovou atuação na cidade do Jequitinhonha. A autora da solicitação do evento também não teria conseguido comprovar ter relação formal com a entidade.

A ação social da entidade foi divulgada como uma iniciativa em parceria com o deputado estadual Gustavo Valadares (PSD).

Como já mostrou O Fator, o instituto tem sido utilizado pelo empresário para formar alianças com políticos de diversas regiões do estado e atuar na pré-campanha de Keesen, que se filiou ao Solidariedade nos últimos dias e assumirá a presidência do diretório estadual.

A estratégia combina expansão territorial e alianças em diferentes níveis da política mineira. A partir do Instituto Olavo Keesen, criado em 2014 com o nome Associação Beneficente Valentes de Davi, e rebatizado em 2024, o empresário passou a fechar parcerias com vereadores, prefeitos, deputados estaduais e ex‑deputados federais em cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e do interior.

O instituto costuma promover mutirões de saúde, lazer e atendimento veterinário nessas localidades. O cardápio, que funciona como vitrine para o nome de Keesen, também inclui cursos profissionalizantes e atividades culturais.

Olavo Kessen é proprietário, entre outros empreendimentos, da Lok Pirâmide, empresa fundada por ele nos anos 2000 e que possui uma série de contratos junto ao poder público e a empresas.

Em Minas, a Lok Pirâmide cresceu como fornecedora habitual de tendas, palcos, galpões e equipamentos para festas públicas e eventos institucionais, em contratos com prefeituras e câmaras. Os acordos, na maioria das vezes, são firmados por meio de adesão a atas de registro de preços.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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