O ex-CEO da Aegea, Hamilton Amadeo, renunciou na noite desta quinta-feira (12) à presidência do Conselho de Administração da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), conforme antecipou O Fator. A saída foi comunicada ao mercado por meio de Fato Relevante divulgado após o fechamento do pregão.
A decisão foi tomada após reportagem do Uol citar trechos de uma delação premiada do executivo sobre o pagamento de propinas a agentes públicos para favorecer contratos da Aegea, quando ele comandava a empresa privada.
Em nota, a Copasa afirmou que “os fatos reportados pela imprensa referem-se estritamente à trajetória profissional anterior do executivo, sem qualquer vínculo com sua atuação na Copasa ou com a integridade das operações desta instituição”. A renúncia tem efeito imediato.
Propina
Segundo reportagem do Uol, Amadeo confessou à Justiça ter autorizado, a partir de 2012, repasses milionários a agentes públicos, com o objetivo de destravar contratos e aditivos favoráveis à empresa em pelo menos dois estados. O dinheiro era usado para pagamento de dívidas de campanhas eleitorais.
Desestatização
O caso acontece em meio ao processo de desestatização aprovado pela Assembleia Legislativa e, agora, em fase de preparação operacional pelo governo de Romeu Zema (Novo).
O Conselho de Administração da estatal havia agendado para o dia 23 deste mês a análise da proposta de privatização do governo de Minas. Após a divulgação das revelações, no entanto, entidades contrárias à venda da estatal passaram a buscar na Justiça o adiamento da reunião, como antecipou O Fator.
O leilão da companhia está previsto para este ano e deve financiar parte das contrapartidas do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
O governo de Minas trabalha prioritariamente com um modelo de privatização que prevê a entrada de um parceiro estratégico no capital da Copasa. A proposta enviada à direção da empresa estabelece a busca por um investidor de referência, com experiência comprovada no setor de saneamento.
Pelo desenho em estudo, o Estado pretende transferir cerca de 30% da participação acionária a esse parceiro. Caso a operação se concretize, o governo reduziria a fatia dos atuais 50,3% para aproximadamente 5%, enquanto o restante das ações seria ser negociada separadamente no mercado.
Presença na ALMG
Antes mesmo de o governo estadual avançar com o projeto de privatização da Copasa, a Aegea já se movimentava nos bastidores em Minas Gerais.
Ao longo de 2025, executivos e representantes da empresa passaram a circular pela ALMG, em agendas com parlamentares e técnicos para compreender os detalhes do modelo de concessão que vinha sendo desenhado pelo governo.
Em julho, o próprio CEO da companhia, Radamés Casseb, tornou público o interesse da Aegea no saneamento mineiro. À época, disse que a empresa aguardava apenas a definição formal das regras do processo para entrar oficialmente na disputa pelo controle da estatal.