Renúncia de Bruno Dantas abre caminho para Pacheco se tornar ministro do TCU

Senador mineiro deve ser indicado nos próximos dias para assumir a cadeira na Corte de Contas da União
O senador Rodrigo Pacheco: de malas prontas para o TCU. Foto: Divulgação

O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) será indicado nos próximos dias para a vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) aberta nesta segunda-feira (31), após a renúncia de Bruno Dantas. Pelo que O Fator apurou, Pacheco foi avisado nos últimos dias sobre a decisão de Dantas e comunicou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que aceita ser indicado para o cargo.

A indicação deve ser formalizada por Alcolumbre e submetida ao Senado. A vaga era tratada inicialmente como espaço do MDB, mas dirigentes do partido passaram a aceitar o nome de Pacheco. O senador Eduardo Braga (MDB-AM), uma das lideranças da sigla, sinalizou concordância com a indicação do ex-presidente do Senado.

Ainda pelo que a reportagem apurou, haverá um esforço concentrado no Senado para votar essa semana o início do rito de indicação.

Pacheco vinha sendo procurado havia meses por líderes do Congresso para assumir uma eventual cadeira no tribunal. Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendiam seu nome caso Dantas deixasse a Corte.

O senador mineiro, no entanto, condicionava qualquer conversa a uma decisão formal do então ministro. A aliados, Pacheco dizia que não trataria de sua eventual indicação enquanto a vaga não estivesse aberta. Com a comunicação da saída de Dantas, ele passou a admitir a articulação.

Em abril, Pacheco anunciou que não concorreria ao governo de Minas Gerais nem disputaria outro cargo nas eleições deste ano. Na ocasião, afirmou que pretendia retomar a advocacia privada ao fim do mandato no Senado. A possibilidade de assumir uma vaga no TCU, porém, manteve seu nome no centro das negociações entre dirigentes partidários e comandantes do Congresso.

Dantas relatava a interlocutores, desde o início do ano, a intenção de deixar o TCU para atuar na iniciativa privada. A decisão foi tomada em meio a questionamentos sobre um leilão de cerca de R$ 1 bilhão no Porto de Santos, vencido por um consórcio formado por familiares do ministro.

No início de agosto, o ministro Augusto Nardes suspendeu a licitação, que previa a administração de um pátio logístico no porto, após apontamentos de irregularidades. Reportagem do UOL informou que o grupo vencedor reúne o sogro, o cunhado e a mulher de Dantas. O então ministro declarou impedimento para participar da análise do caso no TCU.

A representação sobre a licitação foi apresentada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) e por sete deputados federais.

A vaga deixada por Dantas é de indicação do Senado. Depois de escolhido, o indicado será sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e terá o nome votado pelo plenário. Se aprovado, seguirá para nomeação pelo presidente da República.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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