Reviravolta incomum na Justiça pode alterar eleitos para a Câmara de Ouro Preto

Caso tem, inclusive, revogação de decisão do TSE por parte da Justiça Eleitoral mineira
Foto mostra a Câmara Municipal de Ouro Preto.
A Câmara Municipal de Ouro Preto. Foto: Divulgação

Uma sequência incomum de decisões judiciais pode alterar a composição da Câmara Municipal de Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais. Noeles Costa (PSD), que teve os votos recebidos em outubro anulados por questões processuais relacionadas à prestação de contas, busca na Justiça Eleitoral o reconhecimento de sua candidatura. Se conseguir, a alteração resultaria na perda do mandato do vereador eleito Wemerson Rodrigues, o Titão (PT), único parlamentar negro eleito para a atual legislatura.

As contas eleitorais de Costa foram julgadas como não prestadas pela 200ª Zona Eleitoral de Ouro Preto, uma vez que o candidato do PSD não constituiu advogado no processo.

“A ausência do instrumento de procuração, devidamente assinado pelo prestador, inviabiliza a postulação inicial”, explicou a juíza eleitoral Ana Paula Lobo de Freitas na decisão original.

Cronologia 

A defesa de Costa, entretanto, conseguiu invalidar a decisão por meio de uma ação declaratória de nulidade. Na peça, o pessedista afirma nunca ter sido devidamente citado no processo — o aviso de recebimento (AR) dos Correios havia sido assinado por terceiros. A juíza reconheceu o erro e determinou a exclusão da anotação que o impedia de candidatar-se.

Depois, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a inelegibilidade de Noeles, atestando trânsito em julgado do caso. Posteriormente, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) revogou a decisão da Corte superior

Os advogados argumentam que existe jurisprudência do TRE-MG permitindo a juntada de procuração em qualquer momento processual. 

“Não há nenhuma outra irregularidade nas contas além da questão da procuração. É uma situação meramente formal que pode ser sanada a qualquer momento”, sustentam, nos autos.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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