STF concede liminar para cassar vereador mineiro acusado de ameaçar rival com canivete

O ministro Alexandre de Moraes acolheu pedido elaborado pela Câmara local, após o Tribunal de Justiça suspender o impeachment.
Plenário da Câmara de Arapuá, no Alto Paranaíba
Plenário da Câmara de Arapuá, no Alto Paranaíba. Foto: reprodução/Câmara de Arapuá.

O Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu liminar à Câmara Municipal de Arapuá, no Alto Paranaíba, para manter a cassação do mandato do vereador Gilson da Cunha Matos, o Gilson Dentista (PSD). O parlamentar foi alvo de um processo de impeachment, após um morador da cidade acusá-lo de ameaça em uma discussão em um estabelecimento comercial. Na ocasião, conforme a versão da vítima e de testemunhas, o político chegou a mostrar um canivete para o desafeto. A decisão é dessa quarta-feira (29) e tem assinatura do ministro Alexandre de Moraes.

Moraes derrubou decisões anteriores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que haviam restabelecido o mandato de Gilson Dentista. Segundo o ministro, a legislação municipal não pode se sobrepor à jurisprudência do STF.

Em decisões anteriores, o TJMG devolveu o mandato ao vereador, mesmo após o impeachment, por entender que a súmula vinculante 46 do STF trata apenas de crimes de responsabilidade cometidos por prefeitos, não por vereadores.

Por isso, o TJMG considerou a Lei Orgânica de Arapuá para derrubar a cassação. A legislação municipal determina que um eleitor não pode apresentar denúncia de quebra de decoro parlamentar contra um vereador. Portanto, a Câmara local não poderia ter cassado o mandato de Gilson Dentista com base na acusação em questão.

Para Moraes, no entanto, a súmula vinculante do STF, que estabelece regras para crimes de responsabilidade, também se aplica para crimes de quebra de decoro parlamentar e tem prevalência em relação à legislação municipal.

“Entendo que a decisão reclamada (do TJMG, que manteve Gilson Dentista no cargo) desconsiderou entendimento vinculante desta Suprema Corte, ao afastar a incidência de normas federais sobre legitimidade e quórum, estabelecidas pelo Decreto-Lei nº 201/1967, para dar prevalência à disciplina municipal”, justificou o ministro.

Moraes intimou a Câmara com urgência e encaminhou cópia da decisão para cumprimento da liminar. Também notificou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para parecer.

Manifestação causou bate-boca

A denúncia do morador de Arapuá contra o vereador aconteceu na esteira de uma discussão entre os dois por conta de uma velha desavença. Em 2021, o eleitor integrou uma manifestação contra a Câmara local.

Foi esse protesto que motivou a ameaça de Gilson Dentista, segundo o boletim de ocorrência. Nos autos do processo, no entanto, o vereador classificou o fato como “bate-boca com um desafeto seu em um lugar privado”.

Gilson Dentista venceu duas eleições para a Câmara de Arapuá, em 2020 e 2024. Ele tem 56 anos.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

Leia também:

STF concede liminar para cassar vereador mineiro acusado de ameaçar rival com canivete

Copam concede licença ambiental para mina de bauxita da CBA na Zona da Mata

MG precisa aplicar R$ 1,2 bi em investimentos até o fim do ano para cumprir regra do Propag

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse